A Copa não vem sendo aquilo que em junho do ano passado diziam que seria. Jornalistas, analistas, locutores, narradores já fizeram o mea culpa, desculpando-se com o público por vaticínios e presságios altamente pessimistas. Afora a bizarrice do gesto do craque uruguaio Luis Suarez, é sucesso de público e tem mostrado, na maioria dos jogos, excelente nível técnico. O futebol bem jogado por atletas motivados, orgulhosos de participar do certame e comprometidos com suas equipes não falta à festa, como já aconteceu em oportunidades iguais. É certo que a equipe brasileira tem nos deixado apreensivos, mas isso é do jogo.
Aspectos importantes derivam desse belíssimo festival da bola: a confirmação de que a Copa é um grande negócio e a confraternização entre os povos das diferentes 31 nações que ora estão entre nós. Foi com Havelange, cujo mandato na FIFA durou 24 anos (1974-1998), que tiveram inicio as transformações na entidade que comanda o futebol mundial, começando com a ampliação do número das federações nacionais vinculadas a ela. A FIFA reúne 209 federações nacionais e seis confederações continentais, que organizam competições esportivas de futebol masculino e feminino, futsal e futebol de areia.
A mais importante dessas transformações, no entanto, foi a significativa ampliação da natureza e do alcance do principal torneio da entidade, a Copa, criação de Jules Rimet. Até 1974, com sir Stanley Rous, era só uma competição. Dai em diante, passou a ser grande negócio, de alcance mundial, verdadeiro big business na linguagem do capitalismo internacional. É o que estamos vendo, a partir dos bilhões de dólares que mobiliza junto aos países-sede das competições e empresas que as patrocinam. Quanto à recepção dos visitantes estrangeiros, todos estão satisfeitos com a fidalga acolhida dos brasileiros alegre convívio e amizades. Só esperamos que o Brasil, dotado de espírito competitivo, seja vencedor no campo de batalha.
Vicente P. Oliveira
Economista — FEA-USP
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