Vinte anos de estabilidade


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Há 20 anos, implementada pelo então presidente Itamar Franco (já falecido), o País tomava ciência da ampla reforma que pretendia dar um jeito na economia brasileira, há décadas sob jugo da inflação e refém do baixo crescimento. Vários outros pacotes tinham sido tentados, inclusive o Plano Cruzado, determinado na década de 1980 pelo governo José Sarney, com congelamento de preços. Ou o Plano Collor, com o nefando confisco da poupança, e os desdobramentos do impeachment e da substituição por Itamar Franco. Nas duas ocasiões, a hiperinflação voltou com tudo e continuou corroendo salários e finanças. Somente com o Plano Real, implantado em etapas, foi possível mudar o quadro negro da economia brasileira que se verificava até então.
 
Ao completar 20 anos, o Plano Real conseguiu vencer a sua principal batalha: acabar com a hiperinflação. Antes da nova moeda entrar em circulação, em junho de 1994, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) estava em 47,43% ao mês. Em julho daquele mesmo ano, a inflação caiu para 6,84%. A estabilização permitiu avanços: o mercado de trabalho se formalizou, a desigualdade social diminuiu, o Brasil passou de devedor a credor do FMI (Fundo Monetário Internacional) e a economia brasileira foi elevada a grau de investimento pelas principais agências internacionais de classificação de risco.
 
Apesar da estabilidade, que colocou o País num novo patamar de desenvolvimento, a economia brasileira ainda tem diversos desafios, como a própria manutenção dos índices de inflação e até a redução deles para patamares similares aos de países desenvolvidos. O Brasil ainda não conseguiu, por exemplo, resolver um dos eternos dilemas: conjugar alto crescimento com uma baixa inflação. Hoje é consenso que o País precisa de reformas estruturais, como trabalhista, fiscal e política, para ter um novo impulso econômico. O Brasil se tornou pouco produtivo e acumula baixo crescimento. Por isso, o Plano Real, além de mantido, precisa ser aprimorado.
 
Todas as conquistas das duas últimas décadas devem-se ao Plano Real. Caso não tivesse mantido a coluna vertebral do pacote anunciado pelo então ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso (que depois se elegeria presidente), dificilmente os governos petistas dos últimos 13 anos conseguiriam os avanços que apontam nas duas administrações de Luiz Inácio Lula da Silva e na atual de Dilma Rousseff. Assim, foi mantida a distribuição de renda e o ganho real de salários.
 
Porém, sem novas reformas afinadas com a política econômica bancada por Itamar Franco, o Brasil não conseguirá crescer. É necessária uma reforma tributária que não penalize os ganhos do trabalhador e incentivos para que o setor produtivo aumente a produção e, consequentemente, o emprego, além de permitir uma maior presença de manufaturados brasileiros no exterior. Somente uma ampla e profunda reforma será capaz de equilibrar a nossa economia que, nos últimos meses, se deteriora e já traz preocupação com a inflação que estava meio esquecida nas duas últimas décadas.
 
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