O Brasil já teve problema sério com piolho. Era comum s mães cortarem o cabelo de crianças e fazerem o “bodinho”, toda a cabeça raspada, exceto a parte frontal. Em 1962, para acabar com eles era preciso lavar com vinagre, passar pente fino, raspar a cabeça ou... usar inseticida, Neocid, lembra? Inseticida! À base de organofosforados, podia causar insuficiência cardiorrespiratória por degeneração de células musculares.
O corte “bodinho” ficou famoso na Copa de 2002. Ronaldo Fenômeno usou para desviar a atenção da imprensa de seus problemas físicos. Há poucos dias, Alberto Cantalice, vice presidente do PT, também resolveu combater seus piolhos. Publicou artigo no site do partido listando gente do jornalismo ou da mídia: “Profetas do apocalipse, são contra cotas sociais e raciais; reservas de vagas para negros nos serviços públicos; demarcações de terras indígenas; Bolsa Família, Prouni. Divulgadores de democracia sem povo apontaram suas armas contra decreto da presidência que amplia interlocução e a participação da população nos conselhos para melhor direcionamento das políticas públicas.(...) suas pregações em veículos conservadores estimulam setores reacionários e exclusivistas da sociedade brasileira a maldizer os pobres e sua presença maior em aeroportos, shoppings e restaurantes. Seus paroxismos odientos revelam-se com maior clarividência na Copa do Mundo.”
Os nove são Reinaldo Azevedo, Arnaldo Jabor, Augusto Nunes, Demétrio Magnoli, Guilherme Fiúza, Diogo Mainardi, Lobão, Danilo Gentili e Marcelo Madureira. É justo que o partido use pente fino para isolar piolhos que incomodam, mas quando o vice presidente do partido publica no site oficial acusando de “propagadores do ódio, arautos do caos” e, nas entrelinhas, “inimigos dos pobres”, é pura institucionalização de ódio. Vinagre, pente fino e cabeça raspada a gente entende. Neocid é demais...
Luciano Pires
Jornalista, escritor, palestrante, cartunista
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.