Com a realização, no último final de semana, das últimas convenções partidárias, torna-se mais claro o quadro eleitoral deste ano. Em nível nacional, não muda muita coisa diante do que já vinha sendo noticiado até então: os três principais candidatos, que já vinham se movimentando desde o ano passado, fecharam de vez as alianças e coligações. Dilma Rousseff (PT) busca a reeleição, mantendo o peemedebista Michel Temer como vice, mas enfrentando defecções em sua base de apoio. Perdeu o PTB para o PSDB que resolveu entrar na disputa com uma chapa puro-sangue, com os senadores Aécio Neves e Aloysio Nunes Ferreira compondo a chapa, além do PSB, que resolveu alçar voo solo e que vai com Eduardo Campos e Marina Silva disputar a presidência da República.
Desta forma, caso não apareça nenhum azarão (como o PSC do pastor Everaldo Pereira ou o PV de Eduardo Jorge), a campanha deverá ser polarizada entre os três candidatos. Dilma, Aécio e Eduardo: dois deles certamente deverão passar para o segundo turno, de acordo com o cenário que vem sendo desenhado a partir das últimas pesquisas eleitorais. Se há pouco mais de um ano a atual ocupante do Palácio do Planalto aparecia como uma barbada (como se diz em corridas de cavalo sobre um vencedor incontestável), hoje Dilma Rousseff perdeu espaço diante dos seus dois principais adversários e, certamente, não terá vida fácil.
Os números negativos da economia e sondagens específicas, como o medo do desemprego que aumenta junto aos brasileiros, estão minando a vantagem que a presidente ostentava em meados de 2013. Não foram só as manifestações que sacudiram o País em junho do ano passado que provocaram a queda. Além da economia, a dificuldade em resolver os graves problemas de infraestrutura e serviços essenciais também começou a pesar na balança contra o prato petista. Escândalos, como o da Petrobrás, que levou até um ex-diretor da estatal à cadeia, além da prisão dos condenados pelo mensalão, também entram no rol dos elementos complicadores à reeleição outrora fácil de Dilma.
Aécio Neves e Eduardo Campos deverão, com certeza, ter um amplo arsenal de críticas e restrições sobre a forma da presidente governar. Os problemas na saúde e educação, a inflação crescente e o baixo crescimento econômico do País nos últimos quatro anos são munição de grosso calibre e, desta vez, Dilma Rousseff deverá ter menos tempo na TV. Ela certamente vai apanhar o tempo todo de dois adversários durante a propaganda eleitoral. Resta saber como o marqueteiro João Santana vai tratar a propaganda da petista para tentar reverter o quadro que se desenha negro.
Além disso, a coesão vista no último pleito presidencial, que elegeu Dilma Rousseff no segundo turno, já não existe mais. Defecções são registradas junto aos partidos que formam a sua aliança e Aécio Neves e Eduardo Campos já estão se aproveitando disso. A definição do quadro eleitoral deve acontecer até o final da semana, prazo final para registro de candidaturas. A partir daí, somente o correr da campanha no rádio e TV será capaz de apontar o rumo que as coisas tomarão. As cartas foram lançadas e estão na mesa. Resta saber como os jogadores as utilizarão.
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