Uma família em luto pela morte prematura da recém-nascida Sofia questiona a Santa Casa sobre o motivo do óbito. De acordo com a técnica em enfermagem Sandra Regina Almeida - a avó do bebê -, sua filha Sara Luana Rodrigues, 18, teve uma gestação saudável, com todo o acompanhamento pré-natal, mas, durante a 39ª semana, quando vieram as contrações na madrugada do último sábado, o nascimento não ocorreu da forma esperada.
“À 1h40, ela começou a sentir as contrações, às 2h04 deu entrada na Santa Casa e eu fui atrás. A enfermeira me disse que ela estava com oito dedos de dilatação, que a criança já estava quase nascendo e que em pouco tempo eu poderia entrar para acompanhar o parto. Como ela não voltou, fui saber como estava a minha filha, e a história mudou: disseram que ela estava no ‘sorinho’.”
As dúvidas acerca do motivo que levou a óbito uma criança saudável são muitas para a família. A principal suspeita é de que, como a bolsa se rompeu por volta das 2h30 e a dilatação para o parto normal não foi suficiente para a passagem de uma criança de 4,2 kg, a demora para a realização de uma cesariana emergencial tenha sido a causa da morte de Sofia, já que a operação foi realizada por volta das 5h30.
“Quando eu estava na recepção, vi um (médico) residente entrar gritando: ‘Urgente, urgente! Vamos ter de fazer uma cesariana de urgência. Estou ligando em todos os lugares e não estou encontrando a doutora’. Quando me chamaram, minha filha já estava na mesa de cirurgia, porque já não auscultavam mais o coração da neném”, disse a avó.
Ainda segundo Sandra, por volta das 5h11, a obstetra de plantão atravessou o corredor da Santa Casa para ir ao socorro de Sara. “Mesmo assim, ela não encostou um dedo na minha filha. Foram os residentes que fizeram o parto da minha netinha já morta.” Inconformada, a família solicitou um laudo no IML (Instituto Médico Legal) para apontar a causa da morte da criança, que deve sair nos próximos 30 dias.
A mãe, em estado de choque, se disse desencorajada a voltar para casa e encarar o quartinho de Sofia. “Eu só quero Justiça. Planejei minha gravidez e ela era a minha primeira filha. Estou me sentindo muito mal”, disse a estagiária, que há um ano é casada com o silkador Maike dos Santos, 21.
Santa Casa
Em nota enviada ao Comércio, a Santa Casa afirma que, segundo a obstetra responsável pelo parto de Luana, a jovem teria dado entrada no hospital com 7 centímetros de dilatação e em condições de um parto normal, chegando a dilatação até os 9 cm.
“Às 5h38, apenas 30 minutos após o último exame (onde a criança apresentava estado normal) foi constatado que os batimentos do bebê estavam anormais, sendo executado nos minutos seguintes o parto cesariano de urgência”, diz a nota, que segue afirmando: “Mesmo diante de toda a assistência prestada à paciente dentro dos padrões normais de atendimento, a criança veio a óbito”.
A assessoria de imprensa do hospital informou que Comissão Interna de Verificação de Óbito foi acionada para apuração dos detalhes da morte. Por fim, a entidade lamentou o óbito da criança.
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