De herói a vilão


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Em minha infância, fui chamado de ‘gordinho’, ‘barrugudinho’ e tantos outros inhos. Ficava irritado, mas me segurava. Lembrava-me de meu pai: ‘quanto mais achar ruim, mais os apelidos que tentam lhe dar, pegarão’. Voz da experiência paterna na mente, me continha. Ao contrário do que a moderna criação afirma, não me restou qualquer trauma e nunca precisei de terapia. 
 
Hoje, aquilo ainda existe, e tem nome: bullying. Quem pratica, pratica crime. Nunca pensei em meus companheiros de infância como criminosos e tenho saudade deles todos. No fundo, tive infância saudável, igual a de tantos que também se irritaram com apelidos, mas, cá estamos, eu e todos, sem sequelas, só saudade.
 
Vi, dia destes, num dos big closes da Copa (não tem mais jeito: quem erra é ‘calçado’, sem choro nem vela), mordida vampiresca do futebolista Luis Suárez no ombro de zagueiro da Itália. O mundo inteiro viu. E não foi esse o único distúrbio ‘gastronômico’ de Luisito. Foi o terceiro, e foi punido em cada um deles! Seus companheiros dizem que suas mordidas devem ser perdoadas. ‘É próprio do futebol deste lado do mundo’. Para o zagueiro Lugano, capitão do time, a imprensa brasileira pega no pé de Luisito, e a mordida não aconteceu. Foi só um encontrão sem intenção dos dentes dele com o ombro do adversário! 
 
Coloquei-me a olhar para o atleta. Sua arcada superior deve ter lhe rendido apelidos quando criança,  tal e qual meu peso avantajado me proporcionou. Ao que parece, ele não deixou para lá, como fiz. Talvez seu pai não tenha sido o aconselhador que o meu foi para mim. Que procure um terapeuta. Mesmo bom de bola, poderá ser excluído do esporte se tiver outra recidiva,  já que futebol se pratica com os pés, e não com os dentes. Se parar de jogar, poderá  até conquistar papel  em possível continuidade da saga Crepúsculo, não é?
 
Angelo Pedigone
Repórter fotográfico do Comércio da Franca

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