Não há como deixar de retomar este assunto, que vem provocando, nos últimos meses, reclamações da população francana. Embora a administração municipal tenha anunciado, há dias, que todos os problemas na saúde pública seriam solucionados em pouco tempo, dois fatos, na semana que passou, mostram que a coisa não é bem assim. No primeiro, a secretária municipal de Saúde, Rosane Moscardini, revelou-se totalmente perdida durante entrevista ao programa Show da Manhã, apresentado por Valdes Rodrigues, na Difusora. Depois, reportagem do Comércio, na edição de ontem, apontou que a falta de profissionais médicos continua prejudicando o francano que busca atendimento nas unidades geridas pelo município.
A entrevista da secretária Rosane Moscardini, de teor inconsistente, de nada serviu para esclarecer os ouvintes que procuravam uma resposta a seus problemas, a maioria deles relacionados à dificuldade no agendamento de consultas. Nos momentos em que não escapou pela tangente, a secretária, desinformada sobre assuntos de sua própria pasta, chegou a afirmações absurdas. Como culpar os próprios usuários por chegarem de madrugada às unidades de atendimento a fim de marcar consultas. Não apontou soluções ou esforços que a administração municipal possa estar fazendo para tentar melhorar o atendimento. Preferiu manter um tom que ora parecia frio, ora indiferente, mas às vezes poderia soar como acintoso em frases do tipo “estamos vendo isso aí”, em relação a queixas populares que se intensificam. Talvez ela ignore que a população já se cansou de assistir, impotente, às deficiências de um sistema esgotado, com uma alta demanda, do qual grande parte dos francanos é dependente.
Já na edição de sábado, o Comércio apontou um déficit no número de médicos da rede pública de saúde em Franca. O NGA (Núcleo de Gestão Assistencial) não conta com qualquer cardiologista desde o início da última semana. Apenas dois profissionais atendem no local (um deles está de férias e outro se encontra afastado). Mesmo frente a este fato, a Secretaria de Saúde não buscou alternativa, nem mesmo a compra de horas de trabalho de um especialista na área. Uma situação difícil, que milhares de dependentes da rede precisam engolir.
Em maio, o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) convocou a imprensa e anunciou uma série de medidas para o setor de saúde pública em Franca. Dentre elas está a abertura de um concurso para a admissão de novos médicos, além de acordos com clínicas particulares para a realização de mutirão de consultas em diversas especialidades. A secretária Rosane Moscardini, diante dos novos problemas apontados pela reportagem, informou que a contratação de clínicas deve ser licitada nos próximos dias, mas deixou de dar detalhes sobre o andamento do concurso para a admissão de novos médicos.
A tomada de posição, a partir do que tem sido exposto a respeito da saúde pública no município, precisa ser urgente. A população francana não merece ficar exposta por mais tempo a esta situação calamitosa, que coloca em risco a integridade das pessoas que não podem arcar com os custos altos para cuidar da sua própria saúde.
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