Em razão dos movimentos verificados nos últimos dias no Paço Municipal, o francano não deverá se surpreender caso nos próximos dias o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) anuncie um reajuste no valor da passagem cobrada pela Empresa São José em valores acima de R$ 3,00. Hoje, a tarifa é de R$ 2,80. A questão, que já repercute há alguns dias, deve ser resolvida em breve, ainda mais que o chefe do Executivo francano tem em mãos um estudo feito pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisa Econômica) no qual a instituição aponta R$ 3,72 como valor ideal para a passagem cobrada na cidade. O caminho já está aberto para o aumento, que pode sair na próxima semana.
O novo valor ainda não está definido, mas não deve chegar ao indicado pela Fipe. Alegando a intenção de evitar que o usuário seja penalizado, o prefeito deve autorizar um preço menor, mas mesmo assim pesado ao bolso do trabalhador francano que já arca com uma das tarifas de transporte urbano das mais altas do País. E a razão é simples: por causa de leis aprovadas ao longo dos anos pela Câmara Municipal, uma série de gratuidades entrou em vigor, sem que houvesse uma contrapartida do poder público. Ou seja, a Prefeitura não subsidia o que não é cobrado, impactando na planilha de custos da empresa.
Porém, o que não se entende é a razão do Executivo Municipal fechar acordo em surdina com a São José, trazendo benefícios para a empresa, enquanto os francanos que dependem do transporte público não são tratados com a mesma condescendência. Para se ter uma ideia, a tarifa do transporte coletivo urbano em Curitiba (PR), considerado um dos melhores do mundo (e que tem impressionado turistas que passam pela cidade nas últimas semanas em razão da Copa do Mundo), custa R$ 2,70 atualmente. Lá, onde não se verifica a superlotação e os atrasos aqui ocorridos, os pontos são todos cobertos e há veículos biarticulados, os quais provocam aumento da ocupação dos coletivos, causando a redução no valor da passagem.
O francano reclama por pagar um valor alto por um serviço de qualidade inferior. A maioria dos pontos espalhados pela cidade conta apenas com um pequeno poste de madeira (isso quando há), sem qualquer cobertura. E o usuário é obrigado a esperar debaixo do sol ou sob chuva pela passagem dos ônibus, muitas vezes lotados se é hora de pico do movimento. A Prefeitura precisa encontrar uma solução para resolver o principal problema apontado pelos usuários: a tarifa demasiado alta para quem ganha o piso salarial nos dois principais setores da economia francana (a indústria calçadista e o comércio).
Não nos colocamos aqui contra a gratuidade, mas o Executivo municipal precisa encontrar um meio-termo que permita aos trabalhadores pagar um valor justo — e menos impactante ao seu orçamento e melhor qualidade do serviço prestado. Do contrário, as reclamações vão continuar, refletindo negativamente junto aos que foram eleitos para trabalhar em favor da população e que, até agora, mostram uma imobilidade que ninguém está disposto a suportar.
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