Confissão e confusão


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Aquela senhora, naquele dia sentiu uma vontade grande de buscar a igreja e um padre a quem pudesse fazer a sua confissão. E por mais que refletisse sobre os fatos dos últimos dias, não conseguia lembrar a falta cometida e que tanto a preocupava.
 
Mais tarde entra numa igreja, se benze e tranquila faz um novo exame de consciência, já pedindo perdão pelos seus pecados. Pecadinhos sim, mas não que merecessem tanta preocupação.
 
Segue então rumo ao confessionário e se ajoelha cheia de fé.
 
- Padre, eu pequei, mas não sei em quê. Por favor, o senhor me ajuda; é só ir perguntando e eu repondo sim ou não, tá?
 
O sacerdote bastante jovem, certamente com pouca experiência em rituais de tão grande importância e tendo ali do outro lado uma confidente excêntrica, diferente vai perguntando.
 
- Filha, a senhora sabe fazer coalhada seca? Aquela que é uma delícia, mas a minha mãe não consegue acertar. Por favor, senhora, fale a receita devagarinho para que eu possa guardar na memória e passar depois para a minha mãe.
 
E a senhora já um pouco aliviada vai debulhando a receita de coalhada seca.
 
- O leite, fervido na hora e enquanto morno, ali é misturada uma colher da “isca” que eu posso arrumar, porque tenho lá em casa. Depois do leite coalhado...
 
O sacerdote não entendendo bem aí, pedia que ela fosse repetindo, e parecia não ter fim. Ele, com certeza desanimando, e a senhora aliviada porque os seus pecados estavam sendo perdoados.
 
- Pois bem, filha, reze agora um Pai Nosso e uma Ave Maria e vá com Deus. Está perdoada.
 
A senhora sai cheia de fé pelo perdão das faltas, mas volta depressa ao encontro do sacerdote ainda no confessionário.
 
- Padre, espere um instante, pois preciso lhe falar de um pecado mais grave. Ensinei o senhor a fazer chanclich e não a coalhada seca.
 
- Tudo bem, filha, mais uma vez eu te perdoo porque gosto muito daquele queijinho sírio, ainda mais acompanhado de pão também sírio e quentinho. Por esse último pecado reze apenas um terço bem esticado e todos os seus pecados eu perdoo. Vá com Deus.w
 
 
Farisa Moherdaui, professora 
 

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