Depois que a presidente Dilma Rousseff (PT) disse, num encontro com jornalistas estrangeiros no Palácio do Planalto, não ter a mínima ideia sobre as razões pelas quais a economia brasileira não cresce, devemos nos preparar para tudo. Os índices continuam se degradando mês a mês e, pelo que se observa, a equipe do ministro Guido Mantega, da Fazenda, não sabe mais o que fazer. Desde que tomou posse a presidente já anunciou quase três dezenas de pacotes e benefícios ao setor produtivo nacional, mas quase nenhum teve o efeito desejado de alavancar a atividade econômica e reduzir o índice inflacionário. Apenas a arrecadação tributária continua crescendo, obrigando o brasileiro a trabalhar cinco meses a cada ano só para pagar impostos, não apenas os diretos (IR, IPTU e IPVA, entre outros) como os indiretos, incidentes sobre produtos e serviços (como o ICMS).
O francano deve estar sentindo na pele a situação que só continua estável nas palavras dos assessores mais diretos da presidente ou então nas propagandas oficiais. A manchete do Comércio de ontem é uma mostra do que vem acontecendo no País todo. Ao atingir o pior saldo para o mês de maio dos últimos 12 anos, a geração de postos de trabalho é um claro reflexo do descontrole nas contas e nos investimentos do governo federal. Com juros reais de até 150% ao ano, há retração na busca de crédito para investimento em produção, ainda mais que o mercado, tanto interno quanto externo, não vem reagindo de forma satisfatória. É uma situação real que acaba refletindo nos níveis iniciais da cadeia produtiva, afetando o emprego.
Outros sinais preocupantes foram dados ontem, quando o Banco Central anunciou prognósticos negativos da economia brasileira para este ano. O BC elevou a projeção do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que mede a inflação, de 6,1% para 6,4%, bastante próxima do teto da meta para 2014 (e muito acima do centro, estimado em 4,5%), além de reduzir a expectativa de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de 2% para 1,6%. São dois dados que acendem a luz amarela junto à equipe econômica, já que se o quadro atual não for revertido em curtíssimo prazo a tendência é que piorarem os índices até dezembro.
Mesmo preparando outro pacote, desta vez de estímulo ao mercado de capitais, não há no horizonte qualquer outra proposta capaz de fazer a nossa economia andar. A manutenção da Selic (taxa básica de juros) no patamar atual e as constantes intervenções no câmbio são apontadas como ações que precisam ser reformuladas. Como se pode ver, nenhuma delas está sendo capaz de segurar a inflação ou de permitir a evolução econômica. A questão do câmbio, aliás, é considerada a principal causa dos fracos resultados no comércio exterior: a indústria de transformação não consegue fazer frente a importados aqui dentro, ao mesmo tempo em que perde mercado lá fora. É um círculo vicioso que afeta toda a cadeia de produção, reduzindo o poder de consumo da grande massa trabalhadora brasileira. Torna-se evidente que algo haverá de ser feito contra a inércia.
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