Prefeitura de Franca ‘prepara terreno’ para subir valor da tarifa do ônibus


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Funcionário da Prefeitura distribui panfleto a usuários do transporte coletivo no terminal ‘Ayrton Senna’ , no Centro da cidade
Funcionário da Prefeitura distribui panfleto a usuários do transporte coletivo no terminal ‘Ayrton Senna’ , no Centro da cidade
Com a distribuição de 20 mil panfletos, a Prefeitura começa a “preparar terreno” para o aumento no valor da tarifa de ônibus. Distribuído aos usuários do transporte público coletivo, o folheto intitulado Esclarecimento público afirma que o valor da tarifa deveria ser de R$ 3,72, mas que “não há qualquer possibilidade” de isso acontecer. Em que pese parecer indicar que não haverá aumento, o texto do panfleto, na sequência,  sinaliza claramente qual parece ser a real intenção da Prefeitura, quando diz que o referido reajuste “está sendo criteriosamente analisado”. Além de, dessa forma, indicar a possibilidade de aumento, o texto também já apresenta o que pode ser considerada uma “justificativa” para a revisão da tarifa: “A Prefeitura está assumindo o risco da empresa concessionária entrar com ação na Justiça por desequilíbrio econômico-financeiro” (no caso de não reajustar os valores).
 
O valor de R$ 3,72 é indicado como o ideal para a tarifa pelo estudo realizado pela Fipe (Fundação Instituto Pesquisa Econômica) sobre o transporte coletivo de Franca. O levantamento, que custou R$ 151 mil aos cofres públicos municipais, diz que as atuais condições do contrato provocam um desequilíbrio financeiro de 13% à São José, que poderia provocar um prejuízo R$ 60 milhões caso a tarifa permanecesse sem reajuste - nos atuais R$ 2,80 - até o fim da concessão, em 2019.
 
No panfleto da Prefeitura, as gratuidades são apontadas como únicas vilãs para o alto preço da tarifa. Mas de acordo com o coordenador de pesquisas da Fipe, Rodrigo De Losso, há outros fatores. “As causas (do desequilíbrio) são o excesso de gratuidades, serviços adicionais prestados e que não estavam previstos em contrato, como operação e manutenção de terminais e pontos de ônibus e vans adaptadas, e o reajuste que não foi concedido no ano passado”, disse De Losso, em entrevista na semana passada.
 
Esses aspectos o panfleto não aborda, mas usa a questão da gratuidade para fazer o que parece uma “jogada” para angariar simpatia: “A Prefeitura respeita o direito adquirido dos usuários com gratuidades e garante que os benefícios continuam valendo, normalmente”.
 
O material do município termina ressaltando a implantação de GPSs nos ônibus e do sistema intra-bairros, no fim do ano passado. Só omite que as linhas entre bairros vizinhos entraram em operação com quatro anos e três meses de atraso. Já o monitoramento por GPS estava previsto para começar a funcionar em 2010 - prazo alargado pelo acordo assinado na “surdina” entre Prefeitura e empresa em 2013, ou seja, três anos depois de o prazo inicial ter vencido.
 
‘Dizer sem dizer’
A estratégia da Prefeitura de “dizer sem dizer” acabou por confundir a população que faz uso do transporte coletivo - pelo menos os usuários ouvidos pela reportagem do Comércio na tarde de ontem no Centro. A grande maioria, depois de ler o panfleto, não sabia dizer se a passagem subiria para R$ 3,72 ou não.
 
A assessoria de imprensa da Prefeitura não detalhou como está sendo feita a análise sobre o valor da tarifa. Apenas respondeu que “ainda não há definição” e acrescentou: “A Prefeitura volta a reafirmar que não há nenhuma possibilidade de ser aplicado o valor de R$ 3,72, mesmo sendo esse o valor sugerido por estudos da Fipe”.

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