Uma proposta inconveniente


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Não há qualquer argumento capaz de fazer com que a população de Franca ‘engula’ uma movimentação, que os diretórios locais de pelo menos oito partidos políticos estão tentando efetivar: o aumento de 15 para 21 cadeiras na Câmara Municipal. Não é vista com bons olhos pelos francanos, que já se sentem mal representados e órfãos de um Legislativo mais preocupado com os problemas da cidade e de seus eleitores. O Comércio, ao lado da rádio Difusora e do Portal GCN, em várias ocasiões já teve oportunidade de dar voz a cidadãos indignados com a falta de propostas objetivas. Nos últimos meses, nosso Legislativo tem sido pródigo em propor homenagens, títulos de cidadania e sediar cerimônias dirigidas a segmentos específicos. E só.
 
A imobilidade dos vereadores atuais, que não agem dentro da estrita investidura do cargo, vem sendo sentida pela população, que não concorda com a falta de interesse dos atuais ocupantes das cadeiras do Legislativo em fiscalizar o Poder Executivo, além de discutir e votar leis e propostas de interesse da ampla maioria do município. Desde que a atual administração municipal tomou posse, a Câmara tem sido um repositório de notícias negativas, desde as ações de seu presidente (que são alvo de investigações do Ministério Público) até os imbróglios internos entre os vereadores. Ao mesmo tempo em que foram céleres em aprovar um aumento salarial para os seus assessores nomeados, na última sessão os vereadores demonstraram total desinteresse na CEI (Comissão Especial de Inquérito) do transporte coletivo da cidade. A Comissão gerou controvérsias inclusive entre seus membros e, até agora, não produziu qualquer resultado prático.
 
A intenção de aumentar o número de legisladores, diante da produção pífia da Câmara, é totalmente inoportuna neste momento. Para não se dizer indecente. Num momento em que se prega a transparência e o enxugamento da máquina pública, para quê mais vereadores? Para aumentar o número de homenagens? Para a criação de datas comemorativas esdrúxulas e sem qualquer interesse comum para a maioria dos francanos? Embora a Câmara possa aumentar o número de seus integrantes, certamente esta decisão não encontra eco favorável na maioria dos eleitores e contribuintes.
 
O aumento, entendem os francanos, não vai ser capaz de elevar o nível do trabalho da Câmara Municipal. Para a maioria, poderá levar o parlamento do município a criar mais notícias negativas e propostas sem sentido. É hora dos políticos locais entenderem que, assim como em todo o País, nossa cidade ainda continua à espera de um aprimoramento da legislação municipal e de matérias que contemplem os anseios de todos. Ampliar o número de vereadores para 21 em Franca é um contrassenso, que vai de encontro ao que se espera nos dias de hoje, quando se busca eficiência dos representantes eleitos em todos os níveis, mas com redução de custos. Todos sabem que a carga tributária penaliza cada vez mais o contribuinte brasileiro, obrigado a arcar com despesas que não o beneficiam. Espera-se que os atuais integrantes da Câmara de Vereadores ajam com bom senso e afastem esta tentativa absurda e inoportuna.
 
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