A geração de postos de trabalho em Franca atingiu em 2014 o pior saldo para o mês de maio dos últimos 12 anos, segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho. Segundo o levantamento, foram criados em maio deste ano apenas 115 novas vagas ante as 829 geradas no mesmo período do ano anterior. Desde 2003, quando começou o levantamento, o melhor saldo foi registrado em 2004, com 2.536 vagas criadas.
O recuo na geração de vagas na cidade segue o cenário brasileiro e sofreu maior impacto no setor da indústria de transformação, que demitiu 2.459 empregados enquanto admitiu 2.300, ou seja, 159 postos a menos.
Para o presidente do Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca), José Carlos Brigagão do Couto, a baixa no setor é reflexo da conjuntura econômica nacional e influenciará diretamente o desempenho das indústrias ao longo do restante do ano, com repercussões em 2015. “A política econômica adotada pelo Governo Federal, com base no incentivo ao consumo e aumento da demanda, esgotou-se devido ao alto endividamento das famílias, aumento de juros e da inflação e da chegada tardia das medidas paliativas. Isso prejudicou a criação de vagas.”
Segundo o Sindifranca, somente na indústria calçadista houve redução de 133% na formação de empregos com carteira assinada em maio de 2014 em comparação com o mesmo mês do ano passado. “É premente que se façam as reformas tributárias e da CLT, reduzindo o peso dos encargos e, consequentemente, o preço final do produto, tornando-o mais competitivo. Isso levaria ao aumento do consumo”, apontou Brigagão.
Além da indústria, também houve declínio na geração de vagas no setor comercial, que perdeu 111 postos de trabalho.
Agropecuária
O saldo de empregos em Franca em maio só não foi pior devido à agropecuária. De acordo com o Caged, o setor fechou o mês com 440 novos postos de trabalho. Em maio de 2013, foram 255. Segundo o engenheiro agrônomo da Cati (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral) Newton Roberto Rodrigues, o motivo é o começo da colheita de café, que segue até setembro. “Hoje, os catadores de café só trabalham com carteira assinada e é o que movimenta o setor. A mecanização avançou, mas em muitas lavouras, principalmente as novas e em áreas íngremes, ainda se empregam trabalhadores.”

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