A opinião não é só nossa, mas de muitos analistas e empresárioss: a eficácia do pacote econômico lançado pelo governo para a indústria, prorrogando ou alterando medidas em vigor e reativando benefício extinto no ano passado, é duvidosa. O objetivo é impulsionar a produção, mas as possibilidades de alcançar resultado são remotas.
No pacote, está mais do mesmo: a prorrogação do PSI (Programa de Sustentação do Investimento), recriação do Reintegra (descontinuado em dezembro), efinição de alíquota única de 25% de sobrepreço do produto nacional nas compras governamentais e modificações nas regras de adesão ao Refis.
Apesar dos empresários que estavam no palácio com a presidente e o ministro para ‘receber’ o pacote e aplaudir, a categoria manifesta descrença junto com desconfiança que aumenta, abalando o relacionamento governo-empresas. Estamos diante de situação de apatia, de desinteresse da indústria em promover investimentos ou fazer crescer o bolo da produção. O governo optou, na sua política de desenvolvimento, em fazer do consumo — o lado da demanda — o vetor do crescimento, mas esqueceu-se de dar condições à indústria brasileira — na condição de responsável pelo lado da oferta — de suprir o volume adicional de procura que se esperava. Consequentemente, o descuido governamental abriu caminho para o aumento das importações de bens de todo gênero, proporcionando desequilíbrios na balança de pagamentos e inflação.
O requentado pacote, se não traz novidades, não tem ousadia, não propõe medidas capazes de restaurar a confiança de setor tão importante para a economia brasileira. Temos excessiva carga tributária, carência de mão de obra especializada, problemas na área do crédito e, de sobra, preços em alta (bom para alguns e péssimo para a maioria), a crise do etanol. Quanto à utilidade do pacote e sua eficácia, com a palavra o empresariado francano.
Vicente P. Oliveira
Economista — FEA-USP
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