A indústria paulista demitiu 12,5 mil empregados em maio, maior queda desde 2006. O cenário mostra que entre os 22 setores pesquisados pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), 14 apresentaram queda, cinco registraram alta e três ficaram estáveis.
Perderam vagas a indústria automobilística e metalúrgica, de calçados e outras. Ampliaram os setores de alimento e de bebidas.
Segundo economistas, o quadro preocupa porque medidas de incentivo que o governo adota destinam-se à exportação, área que responde lentamente a estímulos.
Depois do incentivo, há longo caminho até encomendas começarem a chegar e as indústrias, contratarem mão de obra.
Para enfrentar a crise de 2008, o governo brasileiro incentivou a indústria automobilística, moveleira e de eletrodomésticos.
Com crédito fácil, a população comprou carro e trocou móveis que não precisava só para aproveitar bons preços, isentos ou desonerados de impostos.
Fez-se o enfrentamento da crise e endividou-se o povo, que chegou a financiar veículos em 72 meses. Quando os impostos retornaram à composição de preços, as mercadorias encalharam e as demissões se ampliaram. A indústria automobilística cortou postos de trabalho, realiza planos de demissões voluntárias e antecipa férias.
Chega-se à hora da verdade. A crise que não chegou anos atrás, mostra sua cara, e já se sabe que indução pura de mercado por crédito e consumo desenfreado não é o caminho.
A crise do emprego chega em hora crítica mas, talvez, seja boa coincidência. É o momento em que os candidatos das diferentes tendências terão a oportunidade de discutir a economia, fazer propostas e, com elas, ganhar o voto.
Quem sabe, recoloquem a tudo nos trilhos. Em vez da ‘marolinha’ prevista, parece que estamos prestes a sofre um ‘tsunami’...
Dirceu Cardoso Gonçalves
Tenente, diretor da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo
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