Quatro meses após ter a bexiga perfurada durante o parto na Santa Casa de Franca, a revisora Gislene Fernanda Pereira da Silva, de 23 anos, ainda espera pela cirurgia que poderá devolvê-la à sua rotina. Desde que deu à luz sua filha, ela não consegue controlar sua urina.
Moradora da Quinta do Café, Gislene se desloca - muitas vezes de ônibus e com a filha nos braços - constantemente até a Santa Casa, Secretaria Municipal de Saúde e Defensoria Pública em busca de uma data para a operação que pode solucionar seu problema. “A explicação que me dão é que não posso ser operada por causa da infecção de urina que eu tenho”, disse ela. “O médico que me atendeu pela Santa Casa disse que eu teria que tomar um antibiótico, esperar por dez dias e voltar para fazer exame e descobrir se a infecção sarou. Segui as orientações. Na terça-feira da semana passada, fiz o exame e peguei hoje (ontem) o resultado, mas só consegui marcar a consulta para o dia 8 de julho.”
O medo dela é ter o quadro de infecção agravado, já que o uso dos medicamentos foi encerrado há cerca de 20 dias. “E se a infecção ainda estiver alta e se espalhar?”
Na manhã de ontem, após ter o pedido de agendamento com urologista rejeitado pelo NGA, Gislene procurou pela Santa Casa. “Como eu também estou com dor, vim até a Santa Casa, porque a médica que fez o meu parto disse que qualquer alteração ou sintoma que eu tivesse em relação à bexiga, poderia procurar pela Santa Casa. Mas, chegando aqui, me mandaram procurar o ‘Janjão’ (Pronto-socorro ‘Álvaro Azzuz’).”
Sem sucesso, entrou em contato com a equipe do GCN e falou sobre seu drama ao vivo no programa Hora da Verdade, da Difusora. Em pouco tempo, uma funcionária da Santa Casa a encontrou e anotou seu nome completo e telefone com a promessa de ajuda. Já no caminho para casa, recebeu a informação de que sua consulta havia sido agendada para as 10 horas de hoje. “Fico feliz em ter marcado a consulta, mas é difícil saber que tive que expor a minha vida para conseguir uma coisa que é direito meu”, disse enquanto enxugava as lágrimas.
Procurada, a Santa Casa não se manifestou quanto a uma previsão para realização da cirurgia de reparação da paciente. Já a assessoria da Prefeitura, confirmou para hoje a consulta com o urologista do hospital.
Sobre o caso
Gislene Fernanda Pereira da Silva deu à luz uma menina no dia 3 de fevereiro, na Santa Casa. Sua bexiga foi perfurada durante o parto normal. Ela teve alta no dia 6, mas teve de voltar ao hospital no dia 10, após não ter fim o vazamento constante de um líquido de suas partes íntimas. Gislene foi internada novamente e teve uma sonda instalada em sua bexiga, mas o vazamento persistiu. Preocupada, a jovem pagou por consulta e descobriu que a sonda instalada era pequena, o que justificaria o vazamento. O urologista particular teria constatado ainda que o caso de Gislene só seria solucionado com cirurgia. Desde então, ela luta para conseguir um agendamento para o procedimento.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.