Morreu no sábado, 21 de junho, o comerciante Jorge Saad Braim, ‘seu’ Jorge da Casa Sad. Na manhã daquele dia, teve fibrilação cardíaca. Foi imediatamente socorrido, medicado contra um quadro de pneunomia e liberado à sua casa. Às 22h45 do mesmo dia, debilitado pela dificuldade de respiração e recorrência de problemas cardíacos — era safenado, morreu.
Nasceu em Kraibet — localidade síria hoje conhecida como Nassra —, filho do sírio Antônio Abrahão Saad e Inocência Maria de Jesus, brasileira nascida em Indaiá (SP). Do enlace, Jorge foi o quinto filho de nove irmãos (Caukeb, Aíssa, Antônio, Abrahão, Aparecida, Abdala, Dorama e Zarife).
Com os pais veio para o Brasil quando tinha um ano, fixando residência em Indaiá (SP) e, depois, em Itirapuã (SP). Seu primeiro emprego foi ajudante de farmacêutico. A família se mudou para Garimpo das Canoas — hoje, Claraval (MG). Empregou-se na loja de Miguel Jorge Kanni, pai de Luiza Miguel. Casou-se com ela em 1942 e a deixa, agora, viúva. Completariam 72 anos de enlace, em outubro. O casal teve sete filhos (Michel, casado com Cecília; Rosemeire, casada com Amir Salomão; Renato, casado com Maria Cristina, divorciados; Rosângela, casada com Clóvis Zentim Pereira; Ricardo, casado com Josi; Roberto Jorge, casado com Rose; e Raquel, casada com Evernon Reigada), 16 netos (Michel, Juliana, Laila, Tárcia, Lucas, Daniel, Débora, Joaquim, Patrícia, Pedro, Ana Luiza, Júlia, Caio, Mathias, Marina, e Matheus), e 12 bisnetos (Maya, Zachary, Noah, Maria Fernanda, Miguel Satori, Sofia, Henrique, Gabriel, Davi, Manuela, Bruno, Emília).
Esportista na juventude, foi goleiro do time de Claraval. No campo, o principal adversário era o time de Ibiraci (MG). As partidas, muito disputadas, terminavam em conflito de vez em quando. Preocupado, criou uma ‘política de boa vizinhança’ e fez seus companheiros seguirem: os adversários eram acolhidos à entrada da cidade com convites para que se alimentassem juntos, em suas próprias casas. A ação tornou cordial a convivência esportiva.
Integrou o grupo que construiu o Mosteiro de Claraval. Segundo sua família, com ele controlando as finanças, os fundos necessários foram levantados e a pedra fundamental foi lançada em 1951. Paralelamente, ainda segundo relatos familiares, também trabalhou pela emancipação do município e implantação de energia elétrica na cidade. A emancipação ocorreu em 1952. Para nome da nova cidade, foi escolhido ‘Claraval’ (que significa ‘Vale Claro’) em homenagear à cidade francesa de Clairvaux, berço da ordem dos padres cisterciences, a mesma que, no Brasil, escolheu Garimpo das Canoas para implantar seu mosteiro.
Em 1960, a família se mudou para Franca, e aqui abriu a a Casa Sad, na avenida Presidente Vargas, primeiro em sociedade com os irmãos Antônio e Abdala, e o filho Michel. A partir de 1975, seguiu apenas com o filho Michel. A empresa seguiu até 2005. Antigos funcionários, no velório, ressaltaram suas qualidades não apenas de bom patrão, ‘mas de excelente pai’. Benedita, que trabalhou na Casa Sad por 20 anos, esteve cuidando dele nos últimos meses e, agora, permanecerá com sua viúva, Luiza.
Religioso, foi ministro da Eucaristia da Diocese de Franca. Criou as pastorais de dízimo, saúde e liturgia, e atuou nos Cursilhos de Cristandade. Fontes da igreja católica o reconhecem como excelente aconselhador de reconciliação de casais. Integrou, ainda, o grupo que fundou e consolidou o CVV (Centro de Valorização da Vida) em Franca, junto ao jornalista Luiz Neto.
O velório aconteceu no São Vicente de Paula, em Franca. No Mosteiro de Claraval, foi celebrada missa de corpo presente. O sepultamento aconteceu no domingo, 22, no cemitério municipal da vizinha cidade.
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