O efeito ‘Black Bloc’


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Em paralelo às belas imagens de confraternização esportiva nos estádios de futebol, o mundo assistiu também pela televisão mais uma deplorável onda de violência protagonizada pelo grupo chamado Black Bloc. Aproveitando-se de uma manifestação pacífica do Movimento Passe Livre, mascarados aterrorizaram a região do bairro Pinheiros e da marginal que leva o mesmo nome, na quinta-feira. De forma oportunista, os encapuzados anônimos pegaram uma brecha no esquema de segurança e literalmente barbarizaram, segundo mostram os registros da imprensa. As cenas são chocantes, mesmo para quem já havia acompanhado os fatos de 2013. Uma delas mostra a destruição de uma concessionária de veículos de alto luxo, prejuízo calculado em R$ 3 milhões. Os furiosos fizeram barricadas que antes eram vistas somente em cenas de guerra civil no exterior, atearam fogo e amedrontaram torcedores que se reuniam em bares para acompanhar os jogos. Cenas de terror no feriado de Corpus Christi na capital paulista.
 
A Polícia Militar foi muitas vezes criticada por se envolver diretamente nas manifestações e acirrar os ânimos com a sua presença. Desta vez optou estrategicamente por manter-se a uma relativa distância da passeata, atendendo inclusive solicitação nesse sentido por parte das lideranças do movimento. Agora, está sendo duramente criticada por não agir prontamente na repressão aos que transgrediram a ordem e criaram riscos inclusive para os manifestantes que desciam as ruas de forma disciplinada e foram surpreendidos. A Copa do Mundo, que vai indo tão bem nos campos, não acabou e o risco de novas ações desse tipo deixa a população em estado de alerta. Cansados de desordem e caos nos grandes centros, os cidadãos esperam das autoridades ação integrada no sentido de detectar a tempo as tentativas de distúrbios e agir preventivamente antes, durante e depois. A função da polícia é a de abordar, identificar e enquadrar se necessário, dentro da lei, mas para isso precisa também de respaldo para agir.
 
Ordem e segurança: é tudo isso o que o povo quer, saturado de vandalismo nas ruas. Cobra providências legais, que devem começar sempre com a ação da PM e prosseguir em inquérito na Polícia Civil e encaminhamento ao Ministério Público para o processo penal. Quem não tem a intenção de fazer algo errado ou ao arrepio da lei, não precisa esconder a cara, dispensa a máscara. Somente o Estado de Direito pode encontrar respostas legais e satisfatórias para mediar esse tipo de conflito latente nos grandes centros e que desafia a sociedade organizada, que tem o direito de se manifestar pacificamente. Desafia o patrimônio privado e público. Desafia os cidadãos, que têm o direito de ir e vir com segurança.
 
Turistas: A imprensa paulistana tem divulgado que os turistas estrangeiros, em geral, estão satisfeitos e aprovam os serviços oferecidos na capital paulista. Com base no que leram e ouviram antes de vir ao Brasil, muitos deles esperavam obstáculos de mobilidade. Ao contrário, se surpreenderam, por exemplo, com o transporte. O Estadão publicou que uma inglesa avaliou o metrô paulistano como mais limpo, melhor e mais barato que o de Londres.
 
Ritmo de Copa: A Desenvolve SP (Agência de Desenvolvimento Paulista) divulgou que os desembolsos, entre janeiro e maio, somaram R$ 204,9 milhões, valor 48% maior que o registrado no mesmo período de 2013 (R$ 138,2 milhões). A maior parte dos recursos (59%) foi direcionada ao setor de serviços, sobretudo a hotéis, que tiveram acesso a crédito subsidiado para projetos voltados à Copa do Mundo.
 
Wilson Marini
Jornalista - email wmarini@apj.inf.br

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