Recentemente, ao ouvir um orador falar sobre determinado assunto, percebi que em certo momento, caiu em contradição. Passou despercebido por muitos, pois foi sutil.
Abordava um caso europeu, colocando a situação de culpa num dado fato, mas se ‘esqueceu’ de dizer que o principal era o contra- testemunho, a falta de ética e de moral de alguns representantes que não deram exemplos. Falou ainda que nossas escolhas geram consequências para o resto da vida e que nenhuma borracha pode apagar.
Conheço a doutrina que apresentava. Houve só uma pequena contradição, e sei que ele não percebeu. O que falava, em essência, é realidade, mas não toda a realidade. Tem que preocupar, quem fala, com realidades que precisam ser dizer em determinadas circunstâncias, e, naquele caso, não foi.
Nenhum orador controla totalmente o seu discurso, e isso é fato. Por isso, tem que conhecer seu auditório. Pode até contrariar quem o ouve, mas precisa fazê-lo com argumentos lógicos, racionais e emocionais para que o seu construção discursiva seja aceita e cause, ao menos, a oportunidade de que seu auditório reflita sobre o que fala. E mais: não tem como palestrar sobre o que não se conheça profundamente. O apenamento é grave: descredito moral e intelectual.
Esse ano é eleitoral. Muitos políticos acham que sabem discursar, mas na verdade, são péssimos oradores e desacreditados. Acabem tendo êxito não por méritos, mas por pura falta de opção dos eleitores/auditório. Ruim com eles, pior sem eles. Na falta de opção vota-se no menos ruim. Promessas surgem sem possibilidade de cumprimento, mas é preciso prometer se não se perde a eleição. O povo ‘gosta’ de ser enganado com apertos de mãos, tapinhas nas costas e promessas.
É bom ter cuidado. O povo, hoje, nota melhor discursos contraditórios e, então, impérios, doutrinas, associações e partidos políticos podem desmoronar. Atos praticados dizem muito mais do que as palavras.
Acir de Matos Gomes
Advogado, professor universitário
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