Um sinal preocupante


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As dificuldades da economia brasileira começam a se acentuar, com números desanimadores em praticamente todos os setores. Nem o ‘pacote’ anunciado pela presidente Dilma Rousseff (PT) a líderes da indústria nacional está sendo capaz de mudar o panorama negativo que se espera no fechamento deste ano. A maioria dos especialistas é unânime em dizer que, por insistir num modelo que já demonstra um esgotamento ao longo dos últimos anos, o governo patina. Agora, o desemprego, que continua em queda e em níveis acima do esperado, traz uma série de números preocupantes que promete ser um entrave à campanha da presidente pela reeleição.
 
Depois dos índices baixos na indústria e no setor de serviços, o sinal vermelho parte da construção civil, onde o emprego formal, com carteira assinada, representa cerca de 8% do total de ocupados no País. O setor, fundamental para geração de postos de trabalho nos últimos anos, dá sinais de enfraquecimento. Com 3,5 milhões de trabalhadores, a evolução em 12 meses do emprego do setor em abril ficou praticamente estável. Em março a ocupação na construção já tinha surpreendido negativamente pelo fato de inverter a recuperação que ocorria desde o final do ano passado
 
A perda de fôlego do emprego no setor da construção civil aparece em pesquisas diferentes. Ao lado da indústria, o fraco desempenho do setor colaborou, por exemplo, para a modesta geração líquida de postos de trabalho da economia como um todo em abril. Esse movimento é nítido tanto no resultado do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) como no da PME (Pesquisa Mensal de Emprego), ressaltam especialistas. Em abril, entre contratações e demissões, foram abertas apenas 4,3 mil vagas na construção civil, o menor resultado para esse mês desde 2003, segundo o Caged. Pela pesquisa da PME, a ocupação na construção civil caiu 3,1% em abril em relação ao mesmo mês de 2013. Em março, a ocupação do setor tinha recuado 0,5% na comparação anual.
 
Também a Sondagem da Construção da FGV confirma a tendência de desaceleração. O indicador de mão de obra prevista para os próximos seis meses diminuiu 10 pontos entre maio de 2013 e maio de 2014, ao passar de 123,4 para 110 pontos, respectivamente. O enfraquecimento do emprego na construção é mais nítido no segmento imobiliário, que responde por quase 40% do pessoal ocupado. 
 
O que se percebe é que a retração da atividade econômica se dissemina em todos os setores produtivos do País. As desonerações, que começam a perder fôlego e validade, já não se mostram eficazes como em 2009, quando o ‘tsunami’ econômico tornou-se global e o governo utilizou a fórmula para incentivar o consumo e aquecer a economia. Com isso, reformas mais profundas, no modelo tributário brasileiro e nos incentivos ao setor produtivo, foram adiadas, mesmo que necessárias. O Brasil precisa de uma mudança nos rumos de sua política econômica para voltar a crescer, investir e buscar soluções para os gargalos que atravancam as atividades em todos os setores da cadeia produtiva.
 
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