Um diagnóstico de “inflamação de garganta” para um caso, posteriormente, confirmado como dengue terminou em registro de boletim de ocorrências na última semana. De acordo com Adriana Morais de Oliveira, mãe da jovem de 17 anos que protagoniza o episódio, o fato ocorreu no dia 24 de maio, quando, pela primeira vez, levou sua filha ao Hospital do Coração com dores no corpo, juntas, cabeça e febre de 39ºC.
“Fui atendida pelo plano de saúde da Santa Casa. O plantonista examinou minha filha e disse que estava com garganta inflamada, porque ela tinha duas manchinhas brancas na garganta”, contou Adriana. “Eu disse que poderia não ser, porque, tanto minha filha quanto eu, temos um problema em que resíduos de comida ficam presos nas nossas gargantas. Ele disse que isso não existia e que até cola, se eu colocasse na garganta, ia descer. Não discuti.”
A partir do primeiro atendimento, Adriana conta que medicou a filha com amoxilina e diclofenaco, conforme o receituário, mas os sintomas se agravaram. “Voltei com ela para o plantão por volta das 19h do outro dia (25), e o mesmo plantonista me atendeu. Ele então pediu um hemograma e disse que aplicaria um antialérgico na veia da minha filha e eu não deixei.”
A negativa ocorreu devido à suspeita da própria mãe de que a filha poderia ter contraído o vírus da dengue. “Ele riu da minha cara e disse: ‘Imagina que um antialérgico pode matar a sua filha’. Eu sei que sou ignorante, mas, por ver na TV que certas medicações são contraindicadas em caso de dengue, eu me assustei.” De acordo com a opinião de um segundo médico, que atendeu a menina após a insatisfação da mãe, e recomendações do Ministério da Saúde, salicilatos e os anti-inflamatórios não hormonais - como é o caso do diclofenaco - podem sim levar à morte em caso de pacientes com dengue, já que seu uso pode favorecer o aparecimento de manifestações hemorrágicas e acidose.
“Outro médico examinou a minha filha e disse que a garganta estava ótima. Vendo o hemograma, disse que era quase certo de que se tratava de dengue. De acordo com ele, se eu tivesse continuado a dar diclofenaco a ela, o quadro poderia ter evoluído para uma dengue hemorrágica. Minha filha poderia ter morrido! Registrei uma reclamação na Ouvidoria da Santa Casa há uns 20 dias, mas, até o momento, ninguém me respondeu.” No último dia 16, Adriana recebeu o exame que comprovou o diagnóstico de dengue.
Em nota ao Comércio, a Santa Casa informou que a direção da entidade está tomando medidas internas cabíveis, embora não tenha especificado quais, “com intuito que situações pontuais e isoladas como esta não se repitam, pois o objetivo maior da instituição é manter a qualidade no atendimento à população e usuários do plano de saúde”.
Após interromper as medicações da primeira receita, a jovem passa bem. “Eu denuncio a negligência. Depois o paciente morre, e eles dizem que foi uma fatalidade”, revoltou-se a mãe.
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