Portugal empata no fim com os EUA e continua vivo


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Por Felipe Rosa Mendes

Com um gol chorado aos 49 minutos do segundo tempo, a seleção de Portugal ganhou sobrevida na Copa do Mundo, neste domingo. Sofrendo com o calor e a umidade de Manaus, os portugueses buscaram o empatecom os Estados Unidos, por 2 a 2, depois de levarem uma virada. Varela, compasse de Cristiano Ronaldo, salvou o time europeu, que esteve perto desofrer uma eliminação precoce no Mundial.

Mais bem preparados para resistir ao calor na Arena Amazônia, osnorte-americanos dominaram a maior parte do jogo, principalmente no segundotempo, quando chegaram à virada. O primeiro gol do duelo foi marcado porNani, com a ajuda da defesa rival. Depois, os Estados Unidos pressionaram ebalançaram as redes com Jones e Dempsey.

O desespero tomou conta do time português, que já se despedia da Copa quandoCristiano Ronaldo cruzou para Varela completar para as redes e garantir asobrevida do time europeu no torneio.

O gol heroico deixou Portugal com apenas um ponto no Grupo G, mas ainda comchances de avançar às oitavas de final. Os Estados Unidos, que quase selarama classificação neste domingo, somam os mesmos quatro pontos da Alemanha edividem a ponta da chave. Gana tem apenas um, assim como os portugueses.

A definição no embolado grupo ficou para quinta-feira, quando os alemães vãoduelar contra os norte-americanos, no estádio Nacional Mané Garrincha, emBrasília, e os portugueses vão encarar o time africano, na Arena Pernambuco,no Recife.

O JOGO - Com desfalques na equipe e pressionado pela goleada sofrida naestreia, Portugal entrou em campo nervoso neste domingo. Não por acaso. Umanova derrota praticamente eliminaria o time da Copa. Mas a ansiedade foisuperada logo no início da partida, com uma grande ajuda da defesanorte-americana.

Aos 4 minutos, Cameron fez péssima intervenção na defesa ao tentar afastar abola da área. Ele pegou mal e desviou para trás, nos pés de Nani, que nãoperdoou e abriu o placar. O gol aplacou o nervosismo português, que recuou epouco se lembrou do ataque até o fim da etapa inicial.

Na defesa, Portugal cedia espaços aos Estados Unidos e quase levou o empateaos 12 minutos. Dempsey bateu falta com perigo, rente ao travessão. Maisadiantado, em relação à estreia, o meia-atacante era a maior aposta do setorofensivo norte-americano e levava perigo constante nas jogadas pela direita,lado que concentrava as ações da equipe, com Johnson e Zuzi, substituto domachucado Altidore.

Dempsey, quase na condição de centroavante, teve chances de empatar aos 16,aos 17 e aos 26 minutos. Bradley levou perigo em finalização de fora daárea, aos 23 e 27. E Johnson também assustou o goleiro Beto, aos 31.

Enquanto o ataque norte-americano trabalhava, o setor ofensivo de Portugalseguia inoperante. E, aos 15 minutos, sofreu mais uma baixa. Helder Postiga,que já estava substituindo o lesionado Hugo Almeida, precisou deixar apartida também em razão de problemas musculares. Foi o quarto desfalqueportuguês nesta Copa por lesão. Antes, perdera Rui Patrício e Coentrão.

Cristiano Ronaldo, maior esperança da equipe europeia, também não ajudava. Odesempenho apagado na estreia se repetia neste segundo jogo. Foram raros osdribles e poucas as finalizações, sem maior perigo ao gol de Tim Howard.

Depois do gol, Portugal só ameaçou no fim da etapa. Aos 44 minutos, Naniencheu o pé de fora da área e acertou a trave. No rebote, o goleironorte-americano fez incrível defesa ao fazer o desvio quando estava caindo,evitando o novo gol português.

Antes do intervalo, o árbitro argentino Nestor Pitana promoveu a primeiraparada técnica desta Copa do Mundo, aos 34 minutos. Sob um calor de 30 grausCelsius (66% de umidade), o juiz liberou cerca de dois minutos para que osjogadores se hidratassem em campo.

O calor, contudo, não intimidou os norte-americanos. Em desvantagem,voltaram com tudo para o segundo tempo e impuseram correria no ataque. Oempate quase veio aos 9 minutos, após grande jogada pela direita. Johnsonfoi até a linha de fundo e cruzou para Bradley só completar para as redes.Mas Ricardo Costa estava debaixo do gol e tirou a bola na linha.

A pressão enfim deu resultado aos 18 minutos. Depois de escanteio na área, abola sobrou para Jones, que cortou Nani e encheu o pé para acertar belochute, no canto esquerdo de Beto. O gol reequilibrou as ações e "acordou"Portugal, que voltou ao ataque. Raúl Meirelles, aos 21, finalizou comperigo. Aos 34, Nani bateu de fora da área, para fora. Antes, CristianoRonaldo levara perigo, aos 17, sem marcação, em chute para longe do gol

As chances perdidas deram seu preço aos 35 minutos. Após bate-rebate naentrada da área, Zusi cruzou da esquerda e Dempsey, de barriga, escorou paraas redes. Na frente, os Estados Unidos estavam perto da classificaçãoantecipada e da eliminação dos rivais.

Parecia o fim da competição para Cristiano Ronaldo e companhia. Mas, depoisde desesperados levantamentos na área, o atacante do Real Madrid encontrou acabeça de Varela, que estufou as redes e deu alívio à torcida portuguesa,ainda viva na Copa do Mundo.

FICHA TÉCNICA

ESTADOS UNIDOS 2 x 2 PORTUGAL

ESTADOS UNIDOS - Tim Howard; Fabian Johnson, Geoff Cameron, Matt Besler eDaMarcus Beasley; Kyle Beckerman, Jermaine Jones, Alejandro Bedoya (Yedlin),Michael Bradley e Graham Zusi (Gonzalez); Clint Dempsey (Wondolowski).Técnico: Jürgen Klinsmann.

PORTUGAL - Beto; João Pereira, Ricardo Costa, Bruno Alves e André Almeida(William Carvalho); Miguel Veloso, João Moutinho, Raul Meireles (Varela),Nani e Cristiano Ronaldo; Helder Postiga (Éder). Técnico: Paulo Bento.

GOLS - Nani, aos 4 minutos do primeiro tempo; Jermaine Jones, aos 18, ClintDempsey, aos 35, e Varela, aos 49 minutos do segundo tempo.

CARTÃO AMARELO - Jermaine Jones (Estados Unidos).

ÁRBITRO - Nestor Pitana (Fifa/Argentina).

RENDA - Não disponível.

PÚBLICO - 40.123 presentes.

LOCAL - Arena Amazônia, em Manaus (AM).

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