Um mãe e dois filhos com cabelos longos, bonitos, saudáveis e muita vontade de ajudar. Isabel Antônio, 50 anos, Patrick, 22, e Juliana, 20, formam uma família que abriu mão da vaidade em nome da solidariedade. Há um ano e meio eles decidiram deixar os cabelos crescerem, mas com uma finalidade: doar os fios para serem utilizados na confecção de perucas para pacientes em tratamento contra o câncer. Um dos efeitos colaterais do tratamento é a queda dos fios.Em maio deste ano, eles cortaram as madeixas e entregaram ao Centro de Voluntários da Saúde de Franca, que atua no Hospital do Câncer da cidade.
Mesmo acostumado com cabelos curtos, a iniciativa partiu de Patrick e de imediato foi “abraçada” por sua mãe e sua irmã. Mesmo com a dificuldade que teve em manter os fios longos, ele garante que a decisão teve suas recompensas. “Como sou homem deu um pouco mais de trabalho porque não sou tão acostumado a ter cabelo grande como as mulheres. Gastava quatro potes de creme sem enxágue por mês, mas isto é o de menos. O mais importante é que podemos fazer a diferença na vida de uma pessoa com um pequeno gesto desse, com 30 centímetros de cabelo.”
Juliana sempre teve madeixas de dar inveja, mas atualmente os elogios à caçula da família são direcionados à coragem e beleza de um gesto. Juliana disse que adotou cuidados especiais com o cabelo e fazia hidratação quase todo fim de semana para não dar pontas duplas e não precisar cortar. “Sempre quis que ele crescesse muito e bonito para ser doado. Tive todo cuidado para que a pessoa que receber a peruca feita com ele tenha prazer em usar. É maravilhoso quando conseguimos fazer as pessoas sorrirem com o pouco que a gente tem. Para muitas pessoas vai fazer falta cortar o cabelo, mas para mim não. Graças a Deus meu cabelo cresce constantemente e em outras pessoas, infelizmente, não é bem assim.”
A doação tocou profundamente Juliana tanto que os fios que crescerem a partir de agora também terão, segundo a jovem, o mesmo destino. “A necessidade de outras pessoas por um cabelo é bem maior do que a importância que dou a ter um cabelo grande. Vou deixar meu cabelo crescer novamente para doar”, disse a jovem que se emociona quando lembra da dificuldade enfrentada pelas pessoas em tratamento contra o câncer. “Quando se vai desenhar ou imaginar uma mulher é comum imaginá-la com cabelo e não ter isto deve ser doloroso. Enquanto puder ver o sorriso no rosto de alguém com esta doação irei fazê-la.”
Isabel se orgulha dos dois filhos, mesmo eles garantindo que toda a ação é graças ao espírito solidário que ela sempre pregou em casa. Segundo Isabel, o objetivo de doar os fios é elevar a autoestima dos pacientes e também incentivar mais pessoas a realizarem a doação. “Fomos os três juntos cortar o cabelo e foi muito legal. Aconselho todos a fazerem o mesmo.”
Ação nobre
A pequena Rafaela Gonçalves de Castro Mendonça, de seis anos, sempre amou seus longos cabelos castanhos escuros. Mas desde que sua tia contou para ela sobre uma ONG (Organização Não Governamental) que ajuda crianças com câncer fazendo perucas, ela resolveu cortar as madeixas e doar. “Quero doar porque as criancinhas vão ficar muito felizes com meu cabelo. Gosto de cabelo grande, mas não tem problema cortar”, disse Rafaela.
A mãe dela, Adriana Sheila Gonçalves, 38, comerciante, ficou surpresa com a decisão da filha. “Ela sempre adorou os cabelos compridos. Mas assim que a minha irmã falou sobre ajudar outras crianças ela topou na hora. Agora não fala em outra coisa.”
A vontade de doar os cabelos cresceu ainda mais depois que Rafa assistiu ao filme Uma prova de amor, que trata da história de uma garota com câncer. “Ela se emocionou muito. Ficou tocada com o drama.”
Rafaela ainda não cortou os cabelos porque assumiu o compromisso de ser dama de honra em um casamento que acontece em agosto. “A noiva pediu muito para que ela não cortasse até o dia da cerimônia. Então, estamos esperando, mas não tem um dia que ela não pergunta se já pode cortar”, disse a mãe.
Colaborou Priscilla Sales
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