Emmanuel, o sábio mentor espiritual do médium Chico Xavier, diz que ‘a família é o cadinho purificador das almas’. Metáfora precisa, já que cadinho é o utensílio de que se vale o ourives para separar da ganga o ouro puro, mediante exposição ao fogo do maçarico.
No calor da vivência familiar entre quatro paredes é que se apura o ouro do verdadeiro amor entre criaturas de estágios evolutivos diferentes e que se vinculam por graves compromissos morais.
A família é, então, na Terra, constituída sempre de afeições e desafeições, na condição de laboratório de ajustes intransferíveis, a acomodar espíritos sobre o pavimento sentimental da senda da evolução implacável. Sob o manto da consanguinidade, transformamo-nos para melhor.
É assim que velhas antipatias entre credores e devedores só decorrem de estarem ainda presos à ignorância da realidade espiritual que lhes regem as relações.
O Evangelho nos ensina a amar. Aprendessemos, a realidade não seria a que assistimos. Não teríamos vítimas de entreveros perfeitamente evitáveis.
Quantas circunstâncias infelizes! Discussões por causa de heranças! Heranças cuja autoria é abreviada a custa de assassínios!
Pais que, movidos por novas paixões, descartam os próprios filhos! Irmãos que se odeiam, disputando, no lar, injustificáveis privilégios e vantagens materiais!
A reencarnação, contudo, é sempre objeto de propósitos espirituais que redimem.
Jamais um espírito prepara-se para reencarnar com intenções estranhas ao seu determinado interesse de resgatar seu passado culposo. Portanto, a disposição para maldade só se aventa pelas paixões carnais, ganga impura a nos requerer extinta pelo calor dos sentimentos.
Amar e perdoar, eis o supremo objetivo! Por isso, recomendou-nos Jesus: ‘Reconciliai-vos com os vossos inimigos, enquanto estais a caminho com eles.’
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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