Violência mascarada


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Há pouco mais de uma semana, no dia da abertura da Copa do Mundo, uma manifestação de movimentos sociais contra o evento, realizada em São Paulo, deixou a atuação violenta da polícia em primeiro plano, principalmente depois que jornalistas estrangeiros se machucaram e foi documentada uma truculência desnecessária de alguns agentes de segurança. Uma série de críticas fez com que a cúpula da Segurança Pública do Estado resolvesse não mais intervir, deixando até de acompanhar qualquer outro tipo de protesto. Uma decisão que se mostrou completamente equivocada diante dos atos de vandalismo registrados anteontem na capital paulista.
 
A manifestação do MPL (Movimento Passe Livre) em comemoração a um ano de redução das tarifas de ônibus, trens e metrô de R$ 3,20 para R$ 3, após a onda de protestos de junho do ano passado, terminou em confronto de mascarados com a Tropa de Choque da PM, na noite de quinta-feira, em Pinheiros, zona oeste da capital. Diferentemente de atos anteriores, a Polícia Militar acompanhou a passeata de 1,3 mil manifestantes com efetivo reduzido. O MPL garantiu a segurança do ato, o que levou a Polícia Militar a deixar de acompanhar o andamento do protesto.
 
Uma concessionária da Mercedes-Benz foi atacada na Marginal do Pinheiros (ao menos dez veículos foram destruídos) e agências bancárias, depredadas por adeptos da tática Black Bloc. Eles também destruíram lixeiras, incendiaram sacos lixos e montaram barricadas com madeira e barras de metal para obstruir a ação da PM. Vidraças foram quebradas e bandeiras do Brasil e do Estado, que estavam hasteadas, foram arrancadas e lançadas ao chão. Só na concessionária de automóveis, os prejuízos foram estimados em cerca de R$ 3 milhões.
 
O problema é que, até agora, enquanto o MPL insiste em dizer que não houve violência na manifestação — imagens de emissoras de TV mostram justamente o contrário —, a cúpula da Polícia Militar já garantiu que voltará a atuar nos protestos que estão sendo convocados para os próximos dias. O que não pode (e quem foi surpreendido pela movimentação sentiu na pele) é se permitir a infiltração de um grupo de mascarados sem qualquer demanda que não seja a violência desmedida e gratuita que -- até agora -- continua impune. A polícia precisa encontrar um equilíbrio que afaste o vandalismo e consiga conter quem age escondido num anonimato que revolta.
 
O governo paulista se diz ludibriado pelo MPL e quer que,a partir de agora, policiais voltem a acompanhar de perto qualquer movimentação. Na quinta, pior não aconteceu em razão dos bloqueios que a PM realizou diante da entrada de estações de trens metropolitanos, impedindo uma invasão que poderia causar mal maior. A sociedade brasileira já está cansada de ver notícias sobre estes vândalos que acabam por esvaziar movimentos reivindicatórios legítimos, deixando as forças de segurança sem saber como agir. Além disso, colocam vidas em risco, ameaçando patrimônios e os próprios movimentos. Fatos como os de quinta-feira não podem se repetir, caso contrário há que se entender uma interferência mais dura da polícia.
 
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