Prefeitura ‘importa’ médicos para os prontos-socorros


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Foto de arquivo mostra pacientes à espera de atendimento no PS Municipal ‘Álvaro Azzuz’
Foto de arquivo mostra pacientes à espera de atendimento no PS Municipal ‘Álvaro Azzuz’
Os dois prontos-socorros da cidade (Infantil e “Álvaro Azzuz”) estão com a equipe de médicos reforçada. Há uma semana, profissionais de outras cidades estão trabalhando nas duas unidades para tentar amenizar os constantes problemas envolvendo a fila de espera. O número total de novos médicos não foi informado pela Secretaria Municipal de Saúde. 
 
Os profissionais fazem parte do ICV (Instituto Ciências para a Vida), uma empresa de Sorocaba, fundada em 2007 e conhecida no Estado por intermediar contratos para serviços médicos em diversos municípios. No início do mês, a Prefeitura fechou um contrato emergencial para que o Instituto forneça médicos para atuar nos dois PSs. 
 
A secretária municipal de Saúde, Rosane Moscardini, disse que os profissionais que haviam sido aprovados no último concurso feito pela Prefeitura já tinham todos sido convocados e, como não havia tempo hábil para a realização de um novo certame, a alternativa encontrada foi a contratação de emergência. 
 
Segundo ela, a contratação foi feita por horas de plantão, por isso não foi informado o total de novos médicos. Para o “Álvaro Azzuz”, foram contratadas 3.456 horas de plantão por mês, o que corresponde a ter cerca de dez novos médicos trabalhando 12 horas por dia. Já para o Pronto-socorro Infantil, são 1.944 horas de plantões mensais, o que equivale a cerca de seis médicos trabalhando 12 horas por dia. O valor do contrato é de R$ 2,5 milhões e a duração é de três meses.
 
A secretária diz que a intenção da Prefeitura é resolver o problema da falta de profissionais médicos dentro desse prazo de 90 dias. Entre as alternativas que já estão em andamento, está a contratação de uma OS (Organização de Saúde) para gerir os serviços de urgência e emergência do município. O processo de contratação e inscrição de empresas interessadas está aberto, mas até a última semana nenhuma OS havia se qualificado. Outra opção é a abertura de mais um concurso público para o preenchimento de vagas de médicos na rede municipal.
 
Histórico
A falta de médicos na rede municipal de Saúde é um problema crônico. O baixo salário oferecido e os constantes problemas enfrentados nos dois prontos-socorros acabam afastando interessados. Mas desde março deste ano, a carência vem aumentando. Uma investigação aberta pelo Ministério Público Estadual mostrou que a Prefeitura de Franca pagava horas extras irregulares a médicos da rede. Um acordo foi assinado entre o MP e o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) pondo fim ao esquema fraudulento. Desde então, diversos profissionais pediram demissão. O número não é informado pela Prefeitura. Isso fez com que a espera por consultas chegasse a 10 horas, o que gerou revolta e uma enxurrada de reclamações.

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