Possível aumento no ônibus marca 1 ano de protestos


| Tempo de leitura: 3 min
Foto de arquivo mostra o viaduto ‘Dona Quita’ tomado por manifestantes na noite de 20 de junho de 2013: um ano depois, nada mudou
Foto de arquivo mostra o viaduto ‘Dona Quita’ tomado por manifestantes na noite de 20 de junho de 2013: um ano depois, nada mudou
Um ano após os francanos saírem às ruas para protestar contra o aumento no preço da passagem de ônibus, a população corre o risco de sentir o custo do transporte público pesar mais no seu bolso e de ficar alguns dias sem o serviço. Outros temas que fizeram parte dos protestos de junho passado, como aumento no custo de vida, mais investimentos para a saúde, educação de mais qualidade e mais segurança pública receberam pouca atenção do poder público ou até foram atendidos, mas motivados por outros acontecimentos.
 
Em junho de 2013, paulistanos saíram às ruas em protesto pelo aumento de R$ 0,20 na tarifa do transporte público. Este foi o estopim que motivou manifestações em todo o país, cujas listas de reivindicações também se ampliaram. A frase “Não é por R$ 0,20. É por direitos” virou lema dos protestos e em 20 de junho de 2013 um “mar de gente” inundou as ruas de Franca com cartazes que estampavam uma lista de reivindicações.
 
A manifestação surtiu efeito na cidade. O prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) montou uma comissão, formada por Prefeitura, líderes de partidos, integrantes do movimento Vem Pra Rua e a São José para estudar redução do preço da tarifa. Posteriormente, com a criação de uma CEI (Comissão Especial de Inquérito) pela Câmara para apurar supostas irregularidades no acordo firmado entre a Prefeitura e a São José, Alexandre desfez o grupo, mas anunciou o congelamento do preço da tarifa em R$ 2,80.
 
Agora, na semana do aniversário de um ano da manifestação francana, a Prefeitura divulgou um estudo que recomenda um reajuste de 33% na tarifa de ônibus na cidade, que passaria de R$ 2,80 para R$ 3,72. O estudo foi feito pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) e custou R$ 151 mil aos cofres públicos. De acordo com a análise, o excesso de gratuidades, a operação e manutenção de terminais e pontos de ônibus, vans adaptadas e o reajuste que não foi concedido no ano passado poderão gerar um prejuízo de R$ 60 milhões à empresa até o fim da concessão se não houver aumento na tarifa.
 
O resultado do estudo foi apresentado no mesmo dia em que os motoristas e cobradores da São José decretaram estado de greve. Eles podem cruzar os braços já nesta segunda-feira. A categoria quer 7% de reajuste, além de um aumento de R$ 50 no vale alimentação, que atualmente é de R$ 300. A empresa oferece 6% de reajuste no salário e R$ 30 no vale.
 
Segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura de Franca, ainda não há nenhuma definição sobre o reajuste no preço da passagem do transporte público na cidade.
 
Já a São José foi questionada pela reportagem por e-mail, cujo recebimento foi confirmado por telefone, sobre o reajuste na tarifa e a negociação com os trabalhadores, mas não respondeu às perguntas até o fechamento desta edição.
 
Mais reivindicações
Outro item da lista de protestos dos francanos era o aumento no custo de vida das famílias, mas as contas ficaram mais pesadas no bolso da população de um ano para cá. Nos últimos 12 meses, a cesta básica teve seis aumentos, como mostrou matéria publicada pelo Comércio no último dia 8.
 
A cesta básica, composta por 13 itens considerados suficientes para o sustento de uma pessoa, sofreu uma elevação de 8,90% de maio de 2013 para o mesmo mês de 2014, com salto de R$ 275,39 para R$ 299,90. 
 
A saúde também foi alvo de protesto em junho de 2013 em Franca. No fim do mês passado, a Prefeitura anunciou um pacote de medidas para melhorar a saúde pública. A iniciativa inclui a contratação de uma OS (Organização Social) para gerenciar os serviços de urgência e emergência da cidade, contratação de clínicas particulares para a realização de um mutirão de consultas nas especialidades com maior demanda, contratação de novos médicos e outros profissionais temporários da área da saúde.
 
Mas a criação do pacote de medidas não foi motivada pelos apelos dos manifestantes nas ruas, mas, sim, pelas denúncias de mortes supostamente ocasionadas por negligência no atendimento do Pronto-socorro “Álvaro Azzuz” e da Santa Casa, além de denúncia de infestação de bichos peçonhentos do PS Infantil.
 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários