E como ficou chato ser eterno. Agora serei moderno. Moderno! Moderno! O livro “moderno”, a língua “moderna” no autor eterno.
L’audace de ces libertés infinies m’effraie
Que Drummond me perdoe! (E me socorra).
Os clássicos serão (re)feitos (“facilitados”!) em verboratório. E se julgarão tão perfeitos como os do antigório. O homem, sem dificuldade, chegará a Machado, a Alencar... (a Rosa eu quero ver!) em seu livrinho de ser lido em toda parte, mesmo sem critério e arte. Dispensam-se mestres, dicionários e estudos vários. Forma, conteúdo, essência? Metáforas, conotações? Dispensam-se reflexos e reflexões. Seja como for (até num escorregão) salta da folha uma história ardilosa. Vai atraindo os incautos com ar obreptício: “Autêntica, eu? Nem de perto, nem de longe. Mas a todos acessível.”
Este ser diverso rompe agora o nexo da velha criação. “Flexível”, seu nascer elide o sonho e a aflição. Luta com palavras? Para quê, se é a luta mais vã? Sua independência é total: sem o cunho das entranhas, vence as leis patriarcal, autoral, tutorial, memorial...
E agora, Machado? E agora, José? E agora, ledor, escritor, professor?
E agora, você? Você que é sem nome e sem lavra de ouro? Você que inda sonha: na sala, na rua, no campo, no campus, no livro, na lida, na mesa da copa ou no chão da cozinha?
E agora?
E agora, Drummond? Que te invado, como simples exemplo de ocupação, corrupção, ou puro desespero?
E agora, escola? Educação, e agora? Sozinhas no escuro, vocês marcham.
Brasil, para onde?
Eny Miranda, médica, poeta e cronista
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