O selecionado francês de futebol e a sua torcida, hospedados em Ribeirão Preto, se prestarem alguma atenção, certamente não se sentirão tão longe de sua terra natal. Em Ribeirão, os franceses encontrarão os irmãos maristas, as irmãs de São José e vários edifícios construídos no auge da economia cafeeira que denunciam a presença da cultura francesa na cidade. Também, menos de 100 quilômetros de distância, eles poderão visitar a Franca do Imperador que, desde os começos do século XX, recebeu forte influência da cultura francesa. Várias gerações de francanos estudaram no Colégio Champagnat e no Colégio Nossa Senhora de Lourdes que, infelizmente, hoje não existem mais. Porém, deixaram suas marcas na formação cultural da comunidade. Ainda nos finais da década de 50, tive como professores o Irmão Pedrinho ( Pedro Everemont ) e o Irmão Pedrão ( Pedro Eugênio), ambos nascidos na França. O prédio do Colégio Champagnat ainda existe e está bem conservado. O prédio do Colégio Nossa Senhora de Lourdes, localizado no centro da cidade, traz em sua arquitetura a lembrança das construções francesas. Suas telhas vieram de Marselha e traziam, na face interna, um orifício por onde passava um arame a fim de se evitar que as telhas escorregassem devido à inclinação do telhado, feito para suportar o peso da neve. Mas, não é só: na praça central da cidade existe um relógio do sol construído nos finais do século XIX pelo mestre e cientista capuchinho Frei Germano, natural de Annecy, cidade onde aprendeu a técnica de construção de relógios solares.
No início do século XIX, passaram pela região Luís d’Alincourt e Auguste de Saint-Hilaire. Eles registraram em seus livros o nascimento do arraial da Franca (embrião da cidade) ainda no limiar do século XIX.
Porém, não fica aí a presença francesa em nossa Franca. Nos finais do século XIX , o advogado Estevão Leão Bourroul passou a residir na cidade. Era natural de Nice (França), onde nasceu em 18 de maio de 1856, filho de Camilo Bourroul e Matilde Cason Bourroul. Em 1880 conseguiu a nacionalidade brasileira. Foi deputado provincial representando o Nono Distrito Eleitoral do qual Franca fazia parte. Foi também Secretário do Governo Provincial de São Paulo.
Para Franca, a grande importância de Bourroul, além de sua liderança política e suas atividades advocatícias, está no fato dele ter sido o nosso primeiro historiador.
Portanto, prezado leitor, a França não está tão longe assim da nossa Franca.
Chiachiri Filho, historiador, criador, diretor por oito anos do Arquivo Municipal e membro da Academia Francana de Letras
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