Eleitor, eleito e ódio


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Nesse período que antecede a campanha eleitoral propriamente dita, os ex-presidentes Lula e FHC discutem corrupção, proselitismo e se acusam, mutuamente, de espalhar o ódio. Ambos não devem se esquecer que cada um governou por oito anos e que, direta ou indiretamente, ambos têm responsabilidade pelo ambiente hoje vivido. Melhor seria que contivessem seus ânimos, mantendo-se acima das campanhas e emprestando apenas peso político-institucional para o aperfeiçoamento do processo e a melhora da representatividade das eleições.
 
Infelizmente, o eleitorado não se identifica com candidatos eleitos. A maioria só vai à urna porque é obrigado. Algum tempo depois., já não se lembra em quem votou. Esse divórcio entre eleitor e eleito atinge a todos e tumultua a vida nacional, facilitando forças paralelas, movimentações agressivas e tensões sociais. FHC e Lula fariam melhor se fossem catalisadores do fortalecimento do processo eleitoral e do relacionamento de políticos com o eleitorado.
 
Nossa democracia carece de meios para sustentar-se. Não basta eleição a cada quatro anos. É preciso que resultem governantes e parlamentares comprometidos com o país e a causa pública, identificados com o povo e, com esses, reconhecido. Não tem ocorrido. Atos de corrupção e inconformidades mancham, perante o povo, a imagem da classe política. 
 
Temos de lembrar que, dia seguinte às eleições, o Brasil continuará com seus problemas. 
 
Os candidatos, e os partidos, deveriam centrar esforços em convencer os eleitores que irão, eleitos, efetivamente resolvê-los. Figuras que já deram contribuição ao país, deveriam,agora, ser preservados como elementos de equilíbrio; jamais garotos-propaganda ou gurus de candidatos ou grupos...
 
Dirceu Cardoso Gonçalves
Tenente, diretor da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo 

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