As últimas pesquisas eleitorais, de qualquer instituto, têm mostrado que o eleitor brasileiro está desanimado e insatisfeito com o quadro que aí está. Enquanto as amostragens demonstram uma queda expressiva nas intenções de voto pela reeleição de Dilma Rousseff (PT), o que ninguém tem destacado é que o índice de indecisos e votos em branco e nulos chega a superar os 40%. Ou seja, quase metade dos eleitores brasileiros não sabe em quem votar ou pretendem anular o voto, sufragando em branco. Trata-se de um movimento que se registra nas pesquisas proporcionais (para presidente e governadores), apontando para um movimento que pode explodir nas urnas no dia 5 de outubro.
O sistema político brasileiro já deu mostras de estar superado há muitos anos. Não existem mais ideologias e projetos capazes de reunir grupos afins. Hoje, fecham-se alianças nas quais o que importa é a exposição na televisão e no rádio, durante os programas gratuitos da campanha eleitoral. O fisiologismo é capaz de unir Paulo Maluf (PP) a Alexandre Padilha (PT), Renan Calheiros e José Sarney (PMDB) a Fernando Collor (PTB). E todos juntos fecham apoio a Dilma Rousseff (PT). Uma salada completa que chega ao eleitor.
Nas grandes manifestações de um ano atrás, a população brasileira já havia demonstrado total insatisfação com a condução do País pelos políticos que aí estão. O pedido de mudança que motivou os protestos de rua, mesmo diante de promessas dos Poderes Executivo e Legislativo, não foi atendido. Ficamos na mesma e tudo acaba refletido nas intenções de votos que mostram a possibilidade de uma grande surpresa no pleito deste ano. O eleitor não se deixa mais enganar por falsas promessas e muito menos por discursos ou ações que não se materializam. Hoje o brasileiro exige ação de seus eleitos.
Enquanto nosso sistema político brasileiro não sofrer uma profunda modificação, o eleitor vai manter um pé atrás. Cobram-se mudanças no financiamento de campanhas, limitação da criação de partidos políticos e criação de um esquema de fiscalização que acompanhe de forma sistemática a ação de entes públicos, penalizando malfeitos e ilegalidades. O instrumento do voto obrigatório, um resquício de um sistema retrógrado, totalmente ultrapassado, precisa ser repensado. Obrigar o eleitor ir às urnas não é garantia de voto. E isso tem sido demonstrado pelas pesquisas.
Enquanto a classe política se portar como uma casta privilegiada e beneficiária de prerrogativas proibidas ao cidadão comum, a situação só tende a progredir. O brasileiro hoje exige mudanças e estas passam pelo fim dos privilégios e pela transparência que se exige no cuidado com a res publica. Do contrário, o eleitor vai continuar se recusando a apoiar os mesmos candidatos de sempre, muitos há décadas em evidência na política nacional, sempre ampliando os seus benefícios e esquecendo-se de milhões de brasileiros que esperam por anos a fio melhorias em saúde, educação e saneamento básico. As pesquisas eleitorais mostram isso. Será que os políticos estão entendendo o recado?
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