Depois de muitas tentativas de negociação, os motoristas e cobradores da São José decidiram na noite de ontem, 18, que farão greve a partir da próxima segunda-feira, 23. A paralisação, porém, pode não acontecer caso, até a data, a empresa aceite a reivindicação de 7% de reajuste e mais R$ 50 de aumento no vale alimentação.
Desde a semana passada, os motoristas tentam junto da São José chegar a um acordo na negociação salarial. Inicialmente, o pedido foi 7% de reajuste e R$ 100 a mais no vale, atualmente no valor de R$ 300. Na proposta da empresa, a oferta chegou a 6% e R$ 30 de aumento no valor.
Ontem à noite, em uma assembleia que durou pouco mais de uma hora, funcionários dialogaram com o gerente administrativo da empresa São José, Delismar Rodrigues da Silva, por telefone, no intuito de estabelecer um acordo e evitar a greve.
Ao fim de quatro ligações, a São José fez uma contraproposta e ofereceu parte do aumento agora e o restante, a partir de janeiro. De imediato, os funcionários que lotaram a sede do sindicato não aceitaram e votaram em manter os 7% e reduzir o aumento do vale alimentação para no mínimo R$ 50.
Sem resposta afirmativa da empresa e uma nova contraproposta, motoristas e cobradores em coro decidiram parar as atividades. Como há uma exigência da legislação trabalhista determinando que a interrupção efetiva do serviço de transporte público em Franca só pode acontecer após, no mínimo, 72 horas da declaração do estado de greve, a paralisação ficou marcada para começar na segunda-feira.
“Vamos aguardar. A empresa tem o feriado, a sexta-feira, o sábado e o domingo. Se até segunda-feira de manhã a São José não atender o pedido, os funcionários decidiram que nenhum ônibus irá sair da garagem para rodar”, disse o presidente do Sindicato dos Motoristas de Franca, Geraldo Xavier de Almeida.
Antes, com o apoio de advogados, ele explicou aos trabalhadores como é o funcionamento de uma greve e o que representa em ganhos reais o reajuste almejado. Na oportunidade, Almeida ainda pediu a união da categoria para pressionar a empresa e não desistir da greve. “Não adianta fazer pequenas paralisações, parar de manhã e retornar depois, pois muitos não aderem. Se decidir por greve, ela precisar ser geral. Mas, se a empresa concordar em oferecer o reajuste, na segunda-feira aviso na garagem e todos trabalham normalmente.”
Se ocorrer, a greve paralisará 500 funcionários e 119 ônibus circulares deixarão de sair para as ruas. Hoje, o piso salarial dos motoristas é de R$ 1.482,80. Já os cobradores ganham R$ 1.106,60.
Na segunda-feira, 16, a Prefeitura se posicionou contrária à greve e informou, em nota, que não pode “interferir em negociações salariais entre empresas privadas e seus colaboradores”.
Cerca de 70 mil pessoas usam o transporte coletivo em Franca todos os dias.
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