Desconfiança


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A economia brasileira segue enfrentando dificuldades. A indústria nacional perde posições e importância, a inflação se consolida como grande problema ao superar a meta estabelecida pelo Banco Central, o setor externo não dá sinais do dinamismo de tempos atrás. Salva-nos a agropecuária, que vai colhendo o que plantou, (quase) redimindo os demais setores
 
Há quase quatro anos, o consumo foi escolhido como chave para fazer a economia nacional andar à frente. Era um misto de política econômica e populismo político. Funcionou no primeiro momento, mas seu potencial esgotou-se. As famílias se endividaram, a inadimplências aumentou — estão aí dados de pesquisa da CNI, a PEIC (Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência) para comprovar — e como não houve investimentos para produzir o que a população queria consumir, a solução foi abrir portas à importação. Nesse particular, ressalta a CNC, a inflação em alta e a elevação dos juros causam maior aperto no orçamento doméstico e enfraquecem perspectivas de consumo. Com isso, o emprego diminuiu, o déficit no setor externo escancarou-se e o ‘pibinho’ se manteve impávido: crescemos só 0,2% no primeiro trimestre. Ao que parece, apesar da ‘Copa das Copas’, a estagnação está assegurada nos primeiros seis meses do ano. 
 
Assim, sobra desconfiança de empresários que têm receio de investir dado o clima político-econômico reinante. Os banqueiros ficam mais rigorosos na concessão de crédito, e freiam a expansão do consumo. Convivemos um clima de desconfiança, desconforto, carência de expectativas favoráveis. 
 
O que é preciso para recolocar os eixos? Competência e reformas. Primeiro, que se restaure a confiança perdida com controle efetivo das medidas de política econômica, aí incluídas a política fiscal (gastos excessivos e carga tributária elevada), estímulo aos investimentos — sobretudo em infra-estrutura — e por aí afora. Há muito que fazer para que o barco não soçobre. 
 
Vicente P. Oliveira
Economista — FEA-USP
 

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