Após sofrer e lutar contra a leucemia, a advogada Carolina Parzewski, 36 anos, tem acumulado vitórias e alegrias em sua vida. Enquanto ela ainda comemorava o transplante positivo da medula doada por sua mãe, a Justiça Federal concedeu em primeira instância, no início do mês, a revogação da Portaria nº 844 do Ministério da Saúde que limita o número de cadastro de doadores no Redome (Rede Nacional de Doadores de Medula). Com mais essa vitória, a francana contribui para salvar a vida de outras pessoas que lutam contra a leucemia, já que o Hemocentro da cidade e região fica obrigado a realizar a captação de todos aqueles que desejam fazer o teste de compatibilidade.
O principal objetivo da ação sempre foi salvar a vida da advogada. Durante a luta por um doador compatível, a família de Carolina soube da limitação de cadastros após voluntários procurarem o Hemocentro e não conseguirem realizar a coleta de material. “Só descobrimos esta portaria devido ao problema da Carol. Enquanto realizávamos uma campanha muito grande em busca de doadores, as pessoas foram se cadastrando até que algumas foram ‘barradas’ e informadas que a cota de 200 cadastros por mês já tinha se esgotado. Fomos atrás e descobrimos que existia esta portaria. A única opção foi entrar na Justiça para tentar revogá-la”, disse a advogada de Carolina, Gisélia Silva Oliveira.
Na época, a situação de Carolina demandava urgência. Foi então que, ao entrar com a ação, uma liminar foi solicitada e concedida pela Justiça. A decisão atual reafirma a liminar, mas o Ministério da Saúde ainda pode recorrer. Mesmo assim, Gisélia continua confiando na vitória, tendo em vista que, segundo ela, a portaria “limita a vida”. “Todos sabem que é difícil encontrar um doador, portanto, é um contrassenso ter um limite. Espero que advogados usem esta decisão para tentar revogar esta portaria em outras regiões também.”
A mãe e doadora de Carolina, Rita Parzewski, também possui o mesmo sentimento e espera que esta vitória salve a vida de outras pessoas. “É uma vitória enorme, porque abriu precedentes. Outras cidades podem aproveitar esta brecha que a Carolina conseguiu, revogar esta limitação no país todo e ainda dar visibilidade para a necessidade da doação de medula. Estou muito feliz.”
Emoção
Rita Parzewski, a mãe de Carolina, deseja que todas as pessoas que passam pela mesma situação enfrentada por sua filha vivam o que elas viveram há poucos dias, ao receberem a notícia de que o transplante havia sido um sucesso.
Mesmo após encontrar quatro doadores compatíveis, ela foi a doadora de Carolina, porque alguns desistiram da doação. Correu tudo bem, mas a apreensão permaneceu devido à possibilidade de compatibilidade ser de 50%. Apesar do sofrimento e da angústia, Rita garante que tudo foi compensado após receber a notícia de que a medula tinha “pegado”.
“Estava saindo para almoçar, quando uma enfermeira mandou eu voltar na hora para o quarto. Assustei e fiquei pensando que tinha feito de errado. Estava preocupada, até que, de repente, entraram os médicos e enfermeiras com aqueles óculos e tiaras de festas e cantando parabéns para ela. Foi muito emocionante, a gente nem conseguia falar nada. Quase morri de felicidade. Tinha medo, porque a minha medula é de uma pessoa idosa, tenho 57 anos, não é uma medula nova, mas o importante é que deu super certo e pegou muito bem.”
Atualmente, Carolina está em isolamento em Ribeirão Preto. Durante 100 dias, ela pode receber apenas a visita do filho, do marido e de seus pais. Ela teve alta do hospital no dia 11 de junho.
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