O senador Aécio Neves avaliou a presidente Dilma Rousseff como uma pessoa do bem e honesta. Mas que foi jogada em uma fogueira sem ter sido preparada. A afirmação foi feita segunda-feira durante jantar com representantes da APJ (Associação Paulista de Jornais), entidade que reúne 15 dos principais veículos impressos do estado com circulação em 80% do território estadual. Foi a primeira entrevista que Aécio deu como candidato oficial do PSDB à presidência da República. O Comércio da Franca participou do encontro exclusivo realizado na sede da entidade em São Paulo. Aécio disse que irá fazer uma campanha focada no futuro e criticou o PT que, segundo ele, insiste em olhar o País pelo retrovisor da história e tenta fazer a divisão com o discurso do ódio. “Nós não vamos cair na armadilha do debate que apequena a política, de colocar nós contra eles. Nós queremos unir o Brasil, não dividir”.
O candidato do PSDB ficou mais de duas horas no jantar. Ele estava acompanhado do também senador Aloysio Nunes Ferreira e dos deputados Duarte Nogueira, presidente do diretório estadual, e Pedro Tobias. “Estar na APJ é uma honra. Os jornais que compõem a associação são o primeiro instrumento de informação que recebem os cidadãos destas regiões, que valorizam, inclusive, mais estes jornais do que os de circulação nacional, pois falam de seu cotidiano”, disse ele, e completou: “Garantirei de forma intransigente a liberdade de imprensa. Não existe democracia sem imprensa livre. Infelizmente, nossos adversários, de forma dissimulada e, mais recentemente, de forma direta, têm falado em cerceamento e controle social da mídia que, nada mais é, do que a censura voltando ao Brasil”.
Aécio comentou a polêmica frase que disse durante a convenção nacional do PSDB, sábado, de que um tsunami varrerá o PT do governo. “O que eu disse é o sentimento que encontramos em qualquer pesquisa de opinião. Mais de 70% dos brasileiros querem mudanças profundas, ou seja, é uma enorme ventania por mudanças”. Falou também sobre a resposta do ex-presidente Lula, dada no dia seguinte, de que o PT deverá fazer neste ano uma campanha da esperança contra o ódio. “O tom radical não faz bem ao bom debate que temos de tratar. O PT, há alguns meses, tentou o discurso do medo, não colou. As pessoas não estão com medo do futuro, estão com medo do presente. Agora, vem com este discurso do ódio. Isto não cabe também no Brasil que precisamos construir”.
O candidato do PSDB foi questionado sobre as manifestações contra a presidente Dilma Rousseff nos estádios da Copa do Mundo. Disse que é a favor da crítica construtiva, mas que não aprova ataques pessoais e xingamentos. Se solidarizou com a petista. “A presidente é uma mulher de bem, eu a considero honesta. Apenas acho que ela foi colocada em um fogueira para a qual ela não estava preparada”. Completou afirmando que “falta preparo à presidente”. “Ela foi ungida a candidato sem ter tido uma trajetória que desse a ela experiência, conhecimento nas relações políticas sob cada uma das áreas do governo. Infelizmente, ela se mostra despreparada para os desafios que tem o Brasil”.
Aécio disse que, caso eleito, cortará pela metade os ministérios e que pretende, no começo de seu eventual governo, apresentar uma proposta de reforma política. Uma das mudanças que propõe é o fim da reeleição. “Três pontos me parecem necessários: restabelecimento da cláusula de desempenho, voto distrital misto e fim da reeleição. A presidente da República acabou por desmoralizar o instituto da reeleição. Defendo um mandato de cinco anos para todo mundo, prefeitos, vereadores, senadores e deputados”.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.