Os motoristas e cobradores da empresa São José devem declarar estado de greve hoje. A previsão é de que o anúncio da paralisação seja feito durante assembleia da categoria que será realizada às 18 horas na sede do sindicato. Já a interrupção efetiva do serviço de transporte público em Franca deve acontecer somente após, no mínimo, 72 horas da declaração do estado de greve para cumprir exigência da legislação trabalhista.
“Até esta tarde (ontem), não recebemos nenhuma nova proposta. A assembleia vai ser só para formalizar a decisão que já tínhamos tomado na semana passada, pois a categoria está muito insatisfeita com a oferta feita pela São José. Acredito que a adesão vai ser grande. Como as 72 horas vencem no sábado, vamos decidir se já paramos no fim de semana ou na segunda-feira”, disse o presidente do Sindicato dos Condutores, Geraldo Xavier de Almeida.
Os motoristas e cobradores da São José querem 7% de reajuste, além de um aumento de R$ 100 no vale alimentação, que atualmente é de R$ 300. Já a empresa aceita o pedido de aumento no vale, mas oferece 6% de reajuste no salário. “Não estamos pedindo muito, pois a inflação, ano passado, ficou em 7%. Então, não teríamos nem um aumento real”, disse Almeida.
Outro lado
O gerente administrativo da empresa São José, Delismar Rodrigues da Silva, disse que a empresa já melhorou a primeira proposta ofertada aos trabalhadores. “Mantemos os mesmos 6% no salário, porém aumentamos a oferta no vale refeição, que era de 6% para 10% de reajuste (passando de R$ 300 para R$ 400)”, disse Silva em nota.
A concessionária de ônibus se posicionou ainda como contrária à paralisação dos motoristas e cobradores. “(A São José) já está oferecendo acima do índice que serve como base para o reajuste do salário da categoria (IPC/Fipe: 5,36%). Contamos que nossos colaboradores e sindicato aceitarão nossa proposta, já que a empresa tem se esforçado para a solução do problema”, afirma a nota enviada por Silva.
Na última segunda-feira, a Prefeitura também se posicionou em relação à greve dos motoristas e cobradores da São José. Para o executivo municipal, o órgão não pode “interferir em negociações salariais entre empresas privadas e seus colaboradores, função essencialmente afeta às relações trabalhistas e seus respectivos representantes legais, inclusive sindicatos” e que “esta é uma questão coletiva, em que usuários e trabalhadores merecem todo o respeito, e não deve ser uma ação política, muito menos uma medida de pressão”.
Almeida contestou a nota, dizendo que o executivo municipal também é responsável pela decisão de reajuste salarial da categoria. “A Prefeitura é indiretamente responsável e pode, sim, participar da negociação, já que a São José é uma concessionária e quem dá a concessão é a Prefeitura. Também não concordo quando eles dizem que nosso pedido é político. Estamos só reivindicando nosso direito”, disse.
Estudo
A Prefeitura anunciou que irá apresentar na tarde desta quarta-feira o resultado do estudo feito pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) sobre o transporte coletivo na cidade. O anúncio será feito em audiência aberta que será realizada no auditório do Cefap, que fica na rua Francisco Barbosa, 1.480, Cidade Nova.
O relatório servirá de base para o Executivo Municipal dar seu posicionamento sobre os valores da tarifa do transporte coletivo praticadas atualmente na cidade.
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