A situação do Cemitério da Saudade, mostrada pelo Comércio em sua edição de domingo, retrata de forma clara como a administração municipal vem tratando os próprios municipais. O abandono toma conta de uma série de espaços, como praças e ruas, que necessitam de um cuidado maior do que recebem atualmente. O Cemitério da Saudade é um dos monumentos históricos de nossa cidade e merece contar com uma atenção mais específica do poder público. Inaugurado em 1856, conta hoje com 7.332 sepulturas. Por causa do reduzido número de sepultamentos recebidos ali, em razão de sua lotação, hoje a faxina geral acontece apenas nas proximidades do Dia de Finados, 2 de novembro. Nesta época, há um verdadeiro mutirão, com funcionários da Secretaria de Obras e familiares dos que foram sepultados ali trabalhando para deixar o lugar apresentável.
O local já foi invadido por vândalos, viciados em drogas e desocupados. No momento está completamente abandonado e as sepulturas sofrem com a multiplicação de sacolas plásticas, garrafas, entulho e muito mato. Além disso, várias lápides aparentam abandono e estão com imagens, enfeites, alças e esculturas quebradas. Há outras que foram arrancadas. Montes de folhas secas ocupam os corredores e se misturam a restos de tijolos e cimento, dificultando a passagem entre os túmulos, normalmente já bastante estreita. Outra cena corriqueira em diversos pontos do cemitério são as flores secas espalhadas pelo chão e vasos com flores de plástico largados no piso. Garrafas de bebidas, vassouras sem cabo, sacos plásticos e maços e restos de cigarro também são vistos. Ou seja, a sujeira se espalha e permanece, sem qualquer ação para sanar o problema.
A Prefeitura Municipal afirma que a limpeza do lugar é feita pelos próprios coveiros e ocorre diariamente. Já a manutenção das sepulturas é de responsabilidade dos seus proprietários — ou seja, familiares dos que foram sepultados em cada uma delas. Segundo a Prefeitura, as famílias são notificadas quanto à necessidade de fazer a limpeza e manutenção dos jazigos. Mas, pelo visto por nossa reportagem, percebe-se que a providência não causa efeito. O que não se pode é deixar o Cemitério da Saudade ao deus-dará, numa situação bastante crítica, totalmente abandonado.
Pelo que se viu por lá, apenas o trabalho dos coveiros não está sendo suficiente para manter o chamado “campo santo” apresentável. Há sepulturas, inclusive, com a tampa quebrada e que vêm sendo utilizadas como lixeiras. É preciso que a administração municipal deixe de lado a imobilidade que a caracteriza e resolva agir, fazendo uma limpeza completa no Cemitério que ocupa uma região central da cidade e que, por sua importância — muitos cidadãos francanos ilustres foram sepultados ali —, não pode depender apenas de notificações e da limpeza efetuada pelos coveiros. É preciso fazer mais. E não só pelo local, mas também pelas praças que estão totalmente abandonadas em vários pontos da cidade e que hoje atraem apenas criminosos e viciados.
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