Recentemente, uma discussão sobre a vaidade e suas consequências, mais precisamente em relação à posição dealguns jornalistas convidados pela presidente da República para jantar no Alvorada e tratar do tema Copa do Mundo, suas nuanças políticas e sociais, mas, prefiro migrar para outra seara, a da irreversibilidade da decisão de realizar a Copa no Brasil e a realidade do evento no contexto de nossa sociedade.
A decisão de fazer, traçada desde 2007, época em que poderia ter havido a insurreição do povo brasileiro e de seus movimentos sociais contra as despesas, tem, agora, que nos remeter a interpretar o evento como um grande aprendizado, sob todos os matizes possíveis, quer do ponto de vista da moralidade dos atos administrativos, quer da receptividade a estrangeiros e ao teste de educação que nosso povo está sendo submetido.
De nada adianta paralisar o país, e nem ir às ruas nos dias de jogos, pois a imagem do Brasil para o mundo será uma vez mais maculada. A oportunidade de demonstrar insatisfação nos será dada pelo processo eleitoral de outubro próximo. Aí, sim, será a hora de encarar a democracia de frente e gozar de suas benesses na plenitude, valendo-se do voto, prerrogativa do cidadão que visa transformações políticas e sociais.
Os desmandos políticos foram terríveis do ponto de vista do planejamento estratégico para a Copa do Mundo. Perdeu-se a chance de produzir um evento alegre, com exercício da plena cidadania, para demonstrar ao mundo que o povo brasileiro tem, sim, preparo, e pode ser notável anfitrião em uma competição de qualquer magnitude.
É a hora, apesar da Copa ‘política’, compartilhar o ideário da educação, do bem receber. Só depois focarems a “artilharia permitida pelas vias legais’, para clamar e propugnar pelas amplas e inadiáveis reformas de que o Brasil necessita.
Alexandre Alves Barcellos
advogado
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