O desempregado Danilo Rodrigues Pimenta, 20, foi executado com tiros na noite de sábado, no Aeroporto III. Aparentemente, seis disparos atingiram o rapaz. O crime aconteceu por volta das 19h30, em frente a um bar e mercearia da rua Madre Maria Vilac. “Indivíduos em uma motocicleta realizaram disparos de arma de fogo, uma 9 mm, que por sinal é uma arma restrita”, disse o tenente PM Tiago Melo.
“A perícia esteve no local e agora o caso fica sob investigação da Polícia Civil, que tentará localizar os autores do crime. O que sabemos é que o jovem não tem passagem pela polícia.” Ainda de acordo com o tenente, nenhuma testemunha soube dar detalhes sobre o homicídio.
Por volta das 20h30, o cenário do crime esteve repleto de curiosos. Pessoas se amontoaram até o limite da faixa de isolamento da Polícia Militar. A estranha descontração de quem passava, até mesmo com latas de cerveja na mão, misturada às luzes das viaturas policiais dava a impressão de que, na verdade, tratava-se de um evento. No meio da confusão, uma mulher estendida ao chão esperava por socorro. “Estou segurando a língua dela. Ela teve uma convulsão”, disse uma amiga da mulher a um policial que tentava abrir espaço para que o ar circulasse em volta.
O corpo do baleado estava caído na calçada do bar e coberto por um pano branco. O sangue formava uma poça espessa ao lado e cada vez mais os curiosos se espremiam para espiar. De repente, um jovem pediu um favor: “Dá licença pras criança passar (sic)”. Surpreendentemente quatro delas, em um cordão de mãos, chegaram mais próximas para ver a cena. “Já chega. Viu tudo? Vamos embora jantar”, disse uma mãe ao buscar uma delas após uns cinco minutos.
Quando tudo parecia estabilizado, o carro da funerária Tedesco causou novo furor. “Vão descobrir o corpo! Eu acho que é o Danilo ali debaixo.” O empurra-empurra foi total. Sem o pano, via-se um jovem de bermuda, camiseta e descalço. Ao ser virado, um fio grosso de sangue escorreu por um dos buracos das balas na cabeça. “Vixe, judiaram, hem?”, disse alguém. O jovem foi posto dentro do caixão e a cerveja que ele bebia pouco antes de sua morte continuou no copo ao lado de um outro, dando a impressão de que não estava desacompanhado ao morrer. Com a partida da funerária, a rua esvaziou-se e cada um seguiu com seus planos para um sábado à noite. “E aí, vamo ou não vamo naquele rolé (sic)?”
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.