Motoristas da São José rejeitam proposta e anunciam greve


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Motoristas e cobradores da empresa São José não aceitaram a proposta de reajuste salarial feita pela empresa e decidiram entrar em greve. Só falta marcar data e horário. Na próxima quarta-feira, 18, a categoria vai se reunir para decidir como será feita a paralisação. Cumpridas as 72 horas de prazo exigidas por lei (de estado de greve), a partir do próximo sábado os trabalhadores já poderão cruzar os braços. “A greve está decidida. Cansamos de ser enrolados”, disse Geraldo Xavier de Almeida, presidente do Sindicato dos Condutores. Cerca de 70 mil pessoas usam o transporte coletivo em Franca todos os dias.
 
A ameaça de greve foi deflagrada em assembleia realizada dia 6 na sede da entidade. Durante a reunião, motoristas e cobradores deram prazo até a última sexta-feira, 13, para a empresa avançar nas negociações salariais. Caso contrário, cruzariam os braços. O esperado reajuste não veio. 
 
“Há cerca de dois meses, a empresa está enrolando a gente e não melhora a proposta. Agora, não tem mais conversa. Vamos parar os ônibus. A decisão está tomada”, disse o sindicalista.
 
Na quarta-feira, ele fará duas reuniões com os trabalhadores, às 8 e às 19 horas, para decidirem quando a greve começará. “Na assembleia anterior, a gente já tinha decidido parar se nosso pedido não fosse atendido. Agora, só vamos fazer a nova reunião para dar o prazo de 72 horas e legalizar a greve. Junto com a categoria, vamos organizar a paralisação e decidir o melhor dia para parar”, adiantou. 
 
Geraldo Xavier afirmou que motoristas e cobradores deverão levar todos os ônibus para a frente da Prefeitura, onde serão concentrados os protestos. “O prefeito, que é o responsável pelo transporte, tem culpa pelo que está acontecendo. Ele também ajuda a nos enrolar e não toma posição para forçar a empresa negociar.”
 
Os trabalhadores querem 7% de reajuste e um aumento de R$ 100 no vale alimentação, hoje fixado em R$ 300. A empresa oferece 6% de aumento no salário e R$ 18 de correção no vale. “A situação nossa não está fácil. Estamos sem reajuste há 24 meses. Eles precisam entender mais a gente. Fomos além do possível, oferecendo uma proposta acima do índice que serve de base para reajuste da categoria. Se eles pararem, vamos entrar na Justiça, pois entendemos que a greve é abusiva”, disse Delismar Rodrigues da Silva, gerente da São José.
 
Raio-x
A empresa tem 550 funcionários em Franca. São 119 ônibus e oito vans que percorrem 40 itinerários. Em média, são transportados 70 mil passageiros por dia na cidade. A greve, caso se confirme, será a segunda enfrentada pelo prefeito em três meses. Em março, mais de dois mil servidores públicos cruzaram os braços e paralisaram setores estratégicos da Prefeitura.
 
Em abril de 2013, Alexandre Ferreira (PSDB) assinou contrato na surdina com a empresa perdoando dívidas e abrindo mão de exigências feitas no contrato. Relatório elaborado pelo vereador Nirley de Souza (DEM), relator da CEI do transporte público, apontou diversas irregularidades no acerto e acusou o prefeito de omissão, favorecimento e crime contra a lei de licitações.
 
A assessoria da Prefeitura foi procurada no fim da tarde de ontem, mas não foi encontrada para comentar a decisão do sindicato.

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