O inquérito que apura as circunstâncias da morte do criminoso Lucas César de Oliveira, 22, que teria sofrido um infarto após ter sido imobilizado por um jovem durante tentativa de fuga, em fevereiro, deve ser arquivado pela Justiça. O Comércio da Franca teve acesso ao laudo emitido pelo IML (Instituto Médico Legal) de Franca. Decisivo para as investigações, o documento atesta que o óbito não se deu por causas violentas. Diante da conclusão, a Polícia Civil não fará indiciamento e dará o caso por encerrado.
A ocorrência se deu no dia 24 de fevereiro e teve repercussão nacional. Após mais um dia de trabalho em uma fábrica de calçados, o adolescente de 16 anos retornava para casa, na zona oeste de Franca, quando viu uma mulher sendo assaltada. A vítima estava com um neném no colo. O assaltante trombou com ela, pegou o celular da mulher e saiu correndo.
Ao ouvirem os gritos de socorro, o menor e um vizinho correram atrás do suspeito. Após dois quarteirões, o avistaram. Gritaram para que devolvesse o celular, mas o homem continuou correndo, pulou um barranco e entrou em um campo de futebol. O autor do furto, que segundo o próprio pai era usuário de drogas, se desequilibrou e caiu de bruços. “Foi quando consegui alcançá-lo e o imobilizei com as mãos e pernas. Pedimos o celular e ele continuou xingando. Não dei nenhum golpe. Só o mantive imobilizado até a polícia chegar”, disse o menor ao Comércio à época.
Lucas, o criminoso, passou mal e ficou com a boca roxa. O garoto que o imobilizou havia aprendido noções de primeiros socorros e fez massagens em seu peito na tentativa de reanimá-lo. A polícia chegou logo depois e continuou fazendo a massagem cardíaca. O ladrão foi autuado em flagrante por tentativa de roubo e levado ao hospital. Ele morreu na noite seguinte. Lucas tinha sete passagens anteriores pela polícia. Foi preso por tentativa de roubo em 2010. Em 2011 e 2012, o homem, que era de São José da Bela Vista, foi indiciado por furto seis vezes.
O menor que deteve Lucas, começou a trabalhar com 13 anos e não tem vícios. Membro de família atuante na igreja católica, formou-se mecânico de usinagem no Senai, em 2013, e está cursando o 3º ano do ensino médio em uma escola pública. Apesar dos bons antecedentes e de ter agido para ajudar uma desconhecida que havia sido roubada, teve a conduta averiguada pela polícia. Se ficasse comprovado que o enfarte fora provocado pela imobilização, ele responderia por ato infracional de lesão corporal seguida de morte. Isto, não vai acontecer.
O laudo assinado pelo médico legista Mauro Tosi Maniglia afirma que a morte do criminoso não foi provocada por asfixia, tortura ou qualquer outro meio cruel. “Não é possível estabelecer nexo de casualidade entre a conduta do menor e a morte. Estávamos investigando a possibilidade de ter ocorrido asfixia, mas o legista foi categórico ao afirmar que a morte não se deu por isto. Não há nada que possa responsabilizá-lo criminalmente”, afirmou o delegado João Walter Tostes Garcia, responsável pelo caso. Segundo o policial, não tendo provas, o menor não será indiciado e, consequentemente, o procedimento será arquivado.
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