Não há jeito de mudar, não há volta. A partir de hoje a maioria dos quase 200 milhões de brasileiros estará usando verde e amarelo para torcer por nossa seleção, que busca o hexacampeonato mundial de futebol. Já vencemos cinco vezes e temos todas as condições de nos sagrarmos campeões de novo. Protestar é direito de todos. Deve ser exercido, sem repressão, desde que não se ultrapassem os limites. Embora protestos não sejam capazes nos devolver os milhões desviados nas construções das modernas arenas e nem fazer com que as promessas sejam cumpridas. Até agora, a maioria delas não foi.
A seleção brasileira, como já disse o jornalista e dramaturgo Nélson Rodrigues, é a ‘pátria de chuteiras’. Ninguém -- e nenhum ato -- será capaz de mudar isso, diante da situação da economia nacional e muito menos por causa das eleições gerais que se aproximam, céleres. A hora é de torcer, a partir das cinco da tarde de hoje, pelo time de Luiz Felipe Scolari. O brasileiro, como em outros mundiais, quer espetáculo, quer a vitória.
O slogan ‘não vai ter Copa’ mostrou-se inócuo. A Copa vai começar e, por cerca de um mês, o Brasil todo vai respirar futebol. Não se pode tentar empanar o brilho do Mundial com outro erro. Se erramos ao aceitar sediar um mundial sem as condições que foram premissa de nossa proposta, agora não podemos errar no sentido de empanar o brilho da festa. Antes de tudo, o Brasil não deveria ter pleiteado sediar a Copa do Mundo quando sempre se soube que o grosso do dinheiro para a realização sairia dos bolsos dos contribuintes brasileiros.
Deixemos as reivindicações para os campos propícios que não os de futebol. O País está sendo prejudicado e vai perder muito, sabe-se de antemão. Mas a alegria do povo brasileiro traduz-se no sucesso da seleção canarinho dentro de campo. Os indícios de que o mundial é considerado especial traduz-se no esgotamento dos ingressos para os jogos do Brasil e de outros selecionados mais famosos, como Espanha, Argentina, Itália, Portugal e França. Além disso, a venda de aparelhos de televisão nunca foi tão grande como agora. O Brasil precisa mostrar ao mundo sua capacidade de surpreender, acolhendo jogadores e turistas estrangeiros da melhor forma possível. Afinal, estamos recepcionando alguns dos maiores craques do futebol mundial, como o português Cristiano Ronaldo (o maior jogador do mundo), o argentino Messi e o espanhol Iniesta, além do brasileiro Neymar, entre tantos outros.
Precisamos nos tornar coadjuvantes de brilho no principal certame futebolístico do mundo. O torcedor brasileiro, pelo menos até aqui, tem mostrado o seu amor ao futebol, tratando de forma carinhosa todos os times que aqui chegaram, além dos turistas que nos visitam. Ele passará, nossas mazelas ficarão, mas temos consciência de que precisamos manter a luta, elevando nossas vozes nas ruas e usando nossa principal arma para mudar os destinos do País: o voto direto, secreto e individual. Empanar o brilho da Copa não tornará o Brasil melhor. Por isso, vamos torcer e vibrar com o Brasil em campo. Lá vai depender do time de Felipão. Fora dele, somente os brasileiros poderão moldar o seu destino.
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