Cúmulo da carência


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Relatei o fato ao meu sobrinho de cinco anos. Ele ficou indignado: “Tio, como é possível isso acontecer no Poder Legislativo de uma das cidades mais importantes do Estado?”. Não consegui explicar. Talvez, os vereadores, cinco dos quais querem ser deputados, possam nos ajudar.
 
O prof. dr. (como ele gosta de se apresentar) José Antônio Lomônaco, amigo particular de Jépy Pereira (PSDB), foi indicado pelo presidente para ocupar o cargo comissionado de diretor-geral em abril. O salário era atraente: R$ 3,4 mil sem controle de entrada e saída. Ele assumiu a função com a justificativa de que ajudaria a apaziguar o clima bélico entre os servidores da Câmara. 
 
A primeira medida prática foi cortar o café dos funcionários. Depois, quis usar o carro oficial sem motorista e com as despesas pagas com nosso dinheiro. A divulgação do caso pelo Comércio frustrou seus planos. Irritado, o prof. dr. ameaçou punir o servidor que denunciou a tentativa de rolezinho. Ainda tentou ressuscitar os atos secretos e impedir que vereadores usassem as redes sociais. Foi desautorizado pelo plenário. “Está havendo interferência no gabinete. Não compete ao diretor dizer o que o vereador vai fazer no seu computador”, disparou Luiz Vergara (PSB). “Sei o que faço. Não preciso de autorização. Não vou admitir filtros que vigiem o que estou fazendo”, afirmou Márcio do Flórida (PT).
 
Em uma semana, duas representações, uma de autoria dos servidores e outra do sindicato da categoria, foram feitas contra o prof. dr. na Comissão de Corregedoria da Câmara. Os funcionários pedem a exoneração dele por suposto abuso de poder, desvio de finalidade e “escandaloso assédio moral”. 
 
Eis a cereja do bolo: na segunda-feira, o prof. dr. pediu ao amigo e presidente Jépy que abra uma procedimento administrativo disciplinar contra o servidor José Carlos Granzotti, pasmem, por ele ignorar suas saudações matinais. “Ele se recusa, dentre outras manifestações de desapreço, a retornar meus cumprimentos até mesmo de bom dia.” Jépy continua achando tudo lindo, mas já foi avisado pelos vereadores que perderá o apoio caso não tome providências. Também foi alertado que o amigo pouco para na Câmara.
 
A volta dos que não foram: O tom de discurso feito por Adérmis Marini (PSDB) na tribuna, terça-feira, foi indicativo de que pensa em jogar a toalha no sonho de sair a deputado federal. “Vou analisar até o fim do mês. Se não for, trabalharei para alguém de Franca.” É que ele acordou e admitiu que não terá o apoio de Duarte Nogueira. Também descobriu que Alexandre Ferreira não o quer como candidato.
 
Pede para sair: O PMDB abrirá a série de convenções estaduais neste sábado. Radaelli deve ter o nome confirmado como candidato a deputado. Apesar de o partido achar que passou da hora de se aposentar por conta de inexpressivas votações, o veterano Aírton Sandoval insiste em lançar seu nome.
 
Ele, nunca mais: Não é por nada, mas começa a ganhar força nos bastidores políticos comentários de que o homem treinado e preparado por Sidnei Rocha é uma “herança maldita”.
 
Escola petista: O esquema montado na Prefeitura de Guarulhos para criar perfis ofensivos na internet ao pré-candidato do PSDB à presidência, Aécio Neves, inspirou tucanos, mais amadores, é verdade, na terra das três colinas...
 
Vai, Brasil: O dia 12 de junho de 2014 é uma data histórica. Será o primeiro Dia dos Namorados do jeito que o homem quer: futebol, churrasco, cerveja e a mulher torcendo feliz ao lado. Aproveitem, porque não vai ter de novo.
 
Edson Arantes
jornalista - edson@comerciodafranca.com.br

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