Justificativa: Santa Casa de Franca confirma falta de vagas em UTI


| Tempo de leitura: 3 min
Valdivina Costa Andrade mostra a roupa do filho Valter Andrade, 34, que morreu à espera de uma vaga no CTI da Santa Casa
Valdivina Costa Andrade mostra a roupa do filho Valter Andrade, 34, que morreu à espera de uma vaga no CTI da Santa Casa
A falta de leitos no CTI (Centro de Terapia Intensiva) da Santa Casa foi confirmada pela instituição. Em nota encaminhada para esclarecer o atendimento prestado ao pedreiro Valter Júlio Rossi de Andrade, 34, que, segundo seus familiares, morreu após esperar oito horas por uma vaga na unidade, a assessoria de imprensa da Santa Casa afirma que buscou leito para o paciente nos hospitais da região e tentou comprar vaga nos hospitais particulares de Franca, mas não teve “sucesso”. Como justificativa, a nota “culpa” o “período de sazonalidade” pela grande procura por atendimento hospitalar.
 
O Comércio questionou a Santa Casa sobre a quantidade de leitos que dispõe atualmente na UTI, mas a nota diz apenas que, neste ano, comprou 39 vagas em hospitais particulares para pacientes que dependem do SUS (Sistema Único de Saúde). “Informamos que a Santa Casa de Franca, neste ano de 2014, já comprou em hospitais particulares 39 vagas para pacientes SUS dependente, sendo 11 vagas de UTI Adulto, garantindo assim a assistência de nossos pacientes.”
 
Recentemente, o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) afirmou durante entrevista que não há caos na saúde. Para justificar a negativa ele alegou, entre outros itens, que “não morre ninguém nos corredores sem ter local para ser internado, não morre ninguém sem ter UTI para oferecer... Se não tem vaga, a gente compra do particular.”
 
A família do pedreiro diz o contrário e afirma que ele morreu sem atendimento. Segundo relatos, após um longo período no Pronto-socorro Municipal “Álvaro Azzuz”, a vaga na Santa Casa foi solicitada à 1 hora da madrugada de terça-feira e liberada às 9 horas. Os familiares dizem que desde o momento em que Valter deu entrada na Santa Casa com quadro de pneumonia até a ocorrência das paradas cardíacas, ele ficou em uma enfermaria aguardando vaga.
 
Segundo a nota da instituição, Valter realmente deu entrada por volta das 9 horas e foi diagnosticado com um quadro grave. “(...) tendo sido atendido e diagnosticado com quadro infeccioso pulmonar grave, devido a patologia pré-existente, que compromete há tempos sua imunidade; porém, enquanto aguardava resultado de exames complementares, evoluiu com parada cardiorrespiratória, sendo prontamente assistido - no entanto, sem reversão do quadro - vindo assim a óbito e encaminhado ao SVO (Serviço de Verificação de Óbito).”
 
Mesmo afirmando o grave estado do pedreiro, a nota diz que ele não esperava por vaga na UTI quando “entrou” na instituição e que a solicitação foi feita após o agravamento do quadro. “O paciente não aguardava vaga para UTI quando da sua entrada na Instituição; a vaga foi solicitada quando houve piora de seu quadro clínico durante o atendimento. Não havendo vaga na UTI da Santa Casa de Franca, o paciente foi regulado através do portal CROSS (Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde) do Estado, que informou que ‘não dispunha de vaga em UTI adulto na região’. Ressaltamos que tentamos comprar vaga de UTI nos outros dois hospitais da cidade, porém, sem sucesso.”
 
O pedreiro deixou mulher e dois filhos, de 9 e 4 anos. Seu corpo foi velado até a manhã de ontem no Velório São Vicente de Paulo. O enterro aconteceu, às 16 horas, na cidade mineira de Delfinópolis.
 
Apuração
A Santa Casa e a Secretária Municipal de Saúde não informaram se abrirão sindicância para apurar o atendimento e a morte de Valter. Um e-mail foi encaminhado para a assessoria de imprensa da Prefeitura questionando a abertura ou não do procedimento e a recente afirmação do prefeito Alexandre. Sobre a sindicância, a assessoria orientou procurar a Santa Casa para questionar o assunto. Já sobre a afirmação do prefeito, nenhuma resposta foi encaminhada.
 
Apenas o Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) afirmou que um procedimento para apuração dos fatos já foi aberto.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários