A culpa é do Thiago


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Thiago é um grilo que é padeiro, de corpo esguio e olhos ligeiros, está sempre a sorrir. Todo galante e muito falante por onde passa sempre deixa alguém a lhe dizer:
 
-Oi, Thiago!
 
-E ele retribui sempre com exímia educação.
 
Certo dia, creio que era quinta-feira, ele acordou com “o pé esquerdo” e tudo no que tocava dava errado. O leite pela manhã azedou, o pão queimou, no lugar do açúcar usou sal, o no lugar do sal... adivinha!
 
Aquela bagunça estava deixando-o maluco e, só para colocar uma pilha, a turma, assim que algo acontecia, já dizia em coro: - A culpa é do Thiago.
 
Ora vejam, nunca façam isso! Parece divertido zombar de um dia torto do amigo, mas isso é chato e ele com razão ficava zangado.
 
E foi assim, ainda muito bravo, que continuou seu dia no trabalho, e quando já estava para assar uma bela rosquinha, eis que errou a mão mais uma vez e derramou sem querer uma porção de leite condensado na massa quase pronta. Ele só de teimosia terminou assim mesmo e confeitou com imenso capricho. Já era hora do café, então convidou seus amigos para provar a novidade. Pois não é que graças a ter acordado tão desengonçado, ele descobriu uma delicia para vender em seu mercado?
 
Todos adoraram! Lambiam a ponta dos dedinhos, todo réptil repetiu, desculpem-me pelo trocadilho. As abelhas voaram faceiras cheias de risinhos, os amigos engraçadinhos ficaram bem quietinhos. Quase não era audível qualquer ruído porque é feio falar com a boca cheia e todas as boquinhas mastigavam.
 
Não sobrou sequer um farelo para adoçar melhor essa história. Só quero poder dizer que a mão boa, o capricho e o sucesso inegável também eram culpa do desajeito do Thiago, mas isso ninguém comentou.
 
Milla Souza

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