Protestos, Copa e ternura


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Chegamos à semana de abertura da Copa do Mundo. Pena que o evento tenha se transformado em objeto de protesto. Será muito ruim para a imagem internacional do Brasil se as minorias radicais conseguirem, de alguma forma, atrapalhar a concretização dos jogos. Mas será desastroso se, para evitar o comprometimento das partidas, for necessário o enfrentamento de guerra aos manifestantes. 
 
A greve dos metroviários de São Paulo, que ameaça deixar sem transporte os torcedores da abertura da Copa, já vai além do sensato. Ao confrontar a ordem judicial de cessação do movimento, seus líderes abrem a guarda para retaliações trabalhistas e o uso da força para o restabelecimento da normalidade no transporte. O movimento é resultado da leniência das autoridades que, em movimentos anteriores, dessa e de outras categorias, não atenderam devidamente as reivindicações, deixaram de cumprir suas prerrogativas e, inclusive, fizeram vistas grossas para a infiltração de grupos oportunistas e baderneiros.
 
Lastimavelmente, mas uma vez nos deparamos com o resultado do engolfamento democrático das últimas décadas, onde as autoridades deixaram de exercer suas obrigações só para reafirmarem sua condição libertária e oposta ao regime de força anterior. Esqueceram-se que a própria democracia, para sobreviver, também deve ser dotada de autoridade e cumprimento das leis. Nesse estado de coisas, surgiram as organizações reconhecidamente criminosas, que desafiam os governos, e os movimentos sociais que, agora, o governo admite como seus conselheiros.
 
O que vivemos hoje é resultado da anárquica caricatura democrática que a classe política criou nos últimos 30 anos. Permitiram a criação e o crescimento do poder paralelo, perderam o respeito da população... Para evitar o mal maior, nossos governantes e lideranças não devem perder de vista a frase que embalou a juventude de boa parte deles: “Há que endurecer-se, mas sem jamais perder a ternura” - Che Guevara.
 
Dirceu Cardoso Gonçalves 
Tenente, dirigente da Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo

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