Na semana passada, cerca de quatro milhões de paulistanos ficaram sem o transporte metropolitano para se deslocar de casa para o trabalho e do trabalho para casa. Sofrimento e transtorno generalizados pela falta do metrô, fundamental numa cidade do porte da metrópole paulistana. Outras paralizações estão ‘pipocando’ pelo país afora, com reivindicações e reivindicações. São as greves por melhorias salariais e benefícios, não só na área do transporte público, mas de outros setores, como, por exemplo, dos servidores municipais da capital.
Afora as razões econômicas que justificam os movimentos paredistas, há também motivações de natureza política, que conhecemos bem. Mas, deixemos estas de lado e concentremo-nos na economia. A busca de melhores salários, de uma remuneração justa e adequada para o trabalhador, é sempre bem entendida pela população, mas o que nos chama a atenção presentemente é a ampliação e a multiplicação dos movimentos grevistas que tantos danos e sofrimentos têm causado a boa parte dos trabalhadores. A beligerância parece até uma briga entre os próprios trabalhadores, que acaba resultando em intransigência, desrespeito e, muitas vezes, violência.
As proposições dos setores em greve tem origem em um fenômeno econômico bem conhecido de nós brasileiros, a inflação, que tem o condão de semear injustiças, beneficiando alguns e penalizando outros. O trabalhador pretende repor as perdas, pois, seu salário vai ficando mais curto à medida que o tempo passa e, ao comparar sua renda com os gastos que precisa fazer para sobreviver, vai percebendo a defasagem entre sua remuneração e suas despesas. Renda e preços se comportam de maneira díspar e a produtividade teima em não aparecer, nem aumentar.
A luta em torno dos índices de reajuste chega a ser inglória, pois, aqui se encontram as verdades de diferentes partes. Isto sem mencionar a intervenção da Justiça do Trabalho ao analisar e decidir sobre a justeza do movimento. A culpa toda das divergências entre empregados e patrões é da política econômica, que, por desencontros e desarticulação, vem libertando o dragão da inflação.
Vicente P. Oliveira
Economista da FEA-USP
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.