Ao contrário do que ocorreu em 2010, quando foi eleita, Dilma Rousseff não deverá ter vida fácil no pleito deste ano. Ontem, conseguiu manter o apoio do PMDB do vice-presidente Michel Temer com apenas 59% dos votos da convenção nacional do partido. Em 2010, a aliança foi aprovada por 84% dos convencionais, deixando claro que a agremiação partidária já começa a campanha “rachada”. E pode piorar ainda mais, uma vez que peemedebistas estão criando palanques regionais totalmente dissociados do nacional. O Rio de Janeiro é um exemplo claro: por causa da candidatura do petista Lindbergh Farias, o diretório peemedebista fluminense já anunciou o apoio ao tucano Aécio Neves, criando a chapa “Aezão” (o atual governador Luiz Antônio Pezão é o candidato do partido à reeleição). Enquanto isso, Sérgio Cabral, que deve se candidatar ao Senado, apoia Dilma no Estado.
Ou seja: a eleição será um balaio de gatos e vai prejudicar a atual ocupante do Palácio do Planalto. Dilma perdeu o apoio do PSB por causa da candidatura de Eduardo Campos à presidência e, embora possa manter o apoio do PSD de Gilberto Kassab, corre o risco de perder apoio de aliados em palanques regionais. Em São Paulo contará com palanques do PT e do PMDB, ambos com candidatos próprios, mas o PSD já está praticamente fechado com a reeleição de Geraldo Alckmin (PSDB), da mesma forma que o PSB, que nacionalmente será adversário dos tucanos.
Como já dizia o cronista Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta, será um verdadeiro “samba do crioulo doido”. Quem apoia localmente não será o mesmo que apoiará nacionalmente. E o eleitor será o mais prejudicado em razão destas alianças que não priorizam programas, ideologias ou afinidades. Busca-se, antes, “turbinar” o horário eleitoral gratuito, onde cada minuto a mais conta para a visibilidade desejada. Dilma, mesmo com a intervenção do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para fechar as alianças, entra na campanha enfraquecida por causa das alianças regionais. Não há, pelo menos por enquanto, uma unanimidade no apoio já que as defecções localizadas nos palanques regionais devem crescer ainda mais, criando ruídos que podem ser danosos às suas pretensões.
Aécio Neves e Eduardo Campos “vêm comendo pelas beiradas”. Buscam apoio junto a partidos nanicos e desconstroem localmente algo fechado nacionalmente. Aproveitando o pessimismo demonstrado nos últimos meses, principalmente em relação à economia e à segurança pública, os adversários de Dilma já estão capitalizando a questão, o que transparece nos índices de intenção de voto. Dilma Rousseff, cujos índices de aprovação praticamente desabaram de um ano para cá, vai precisar mostrar muito nos próximos meses, principalmente em relação à economia, para se reeleger. A estratégia de campanha já se mostrou equivocada e os petistas se movimentam no sentido de mudar os rumos, pois a presidente corre o risco de ver as suas expectativas eleitorais caírem por terra em outubro.
email opiniao@comerciodafranca.com.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.