Vereador Adérmis Marini acusa prefeito Alexandre Ferreira de copiar projeto


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Adérmis Marini (sentado), na sessão de ontem: ‘(O prefeito) Não teve dificuldade nenhuma para elaborar o projeto. Fez Ctrl+C, Ctrl+V’
Adérmis Marini (sentado), na sessão de ontem: ‘(O prefeito) Não teve dificuldade nenhuma para elaborar o projeto. Fez Ctrl+C, Ctrl+V’
Não bastassem as críticas que partem de setores diversos da sociedade contra o governo municipal, Alexandre Ferreira (PSDB) voltou a enfrentar “fogo amigo” disparado por aliados na Câmara ontem. Adérmis Marini, que renunciou ao cargo de líder do governo, alegando ter sido traído pelo prefeito no fim do ano, agora reclama de plágio: “Não teve dificuldade nenhuma para elaborar o projeto. Fez Ctrl+C, Ctrl+V”.
 
Adérmis se refere à proposta de sua autoria aprovada em fevereiro criando o sistema de Área Azul Social em Franca. A finalidade é implantar o sistema nas ruas ao redor de locais de grande aglomeração de pessoas, como casas de shows, parque, teatro e estádio. Nesses lugares, seria cobrada uma taxa de estacionamento, nos mesmos moldes da Área Azul, que já funciona em regiões comerciais. A diferença é que a cobrança ocorreria apenas nos dias em que os eventos fossem realizados. A exploração seria de responsabilidade de entidades assistenciais. Além de ajudar a arrecadar fundos, o vereador acredita que inibiria abusos cometidos por flanelinhas.
 
Aprovado por unanimidade, o projeto foi vetado pelo prefeito sob a alegação de que o vereador “usurpou” de iniciativa que seria de “exclusiva competência” do Executivo. Em abril, a Câmara derrubou o veto com 13 votos contrários e nenhum favorável. A lei entrou em vigor no dia 8 do mesmo mês.
 
Na tarde de ontem, os vereadores foram surpreendidos com lei apresentada em regime de urgência por Alexandre Ferreira criando uma espécie de Área Azul Social “genérica” no estacionamento diante do Parque de Exposições “Fernando Costa”. O espaço, normalmente, é explorado pela Aeaf (Associação das Entidades Assistenciais de Franca) durante a Expoagro. O prefeito pretende ampliar a concessão para todos os eventos realizados no local. “O projeto original era melhor. Ele determinava que o prefeito, por decreto, poderia escolher áreas de interesse por toda a cidade onde ocorrem mais eventos e não apenas no parque. Infelizmente, o prefeito vetou e apresentou proposta semelhante”, disse Adérmis.
 
O vereador afirmou que o pedido de urgência não era necessário. Ele reclamou de só tomar conhecimento da proposta com a sessão em andamento. “Me senti desprestigiado. É uma questão de ética política. Sabendo que já tinha um projeto igual na Câmara, o prefeito deveria ter falado com o vereador que propôs.” Também integrante do mesmo PSDB de Adérmis e Alexandre, Valéria Marson saiu em defesa do colega. “Não entendi a urgência, já que não tem nenhum evento programado para o parque. Como membro do PSDB, o Adérmis poderia ter sido valorizado pelo prefeito.”
 
Apesar das reclamações, o projeto do prefeito foi aprovado, segundo os vereadores, para não prejudicar as entidades. Daniel Radaeli (PMDB) levantou uma questão que poderá gerar discussão jurídica. “O projeto original foi promulgado e, se não for derrubado por liminar, continua valendo. Assim, teremos duas leis semelhantes em vigor.”

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