Pedreiro morre na Santa Casa de Franca à espera de vaga no CTI


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Valdivina Costa Andrade mostra a roupa do filho Valter Andrade, 34, que morreu à espera de uma vaga no CTI da Santa Casa
Valdivina Costa Andrade mostra a roupa do filho Valter Andrade, 34, que morreu à espera de uma vaga no CTI da Santa Casa
A família do pedreiro Valter Júlio Rossi de Andrade, 34, viveu ontem, 10, oito horas de agonia à espera por uma vaga no CTI (Centro de Terapia Intensiva) da Santa de Casa de Franca. Com quadro de pneumonia e após três paradas cardíacas seguidas, Andrade morreu sem atendimento, alegam os familiares.
 
A saga do pedreiro começou no último domingo, 8, quando, com dificuldades para respirar e fortes dores no peito, foi levado até o Pronto-socorro Municipal “Doutor Álvaro Azzuz”. Na unidade, após receber atendimento e medicação, acabou liberado, retornando para casa.
 
Segundo Euripidina Aparecida de Andrade, na segunda-feira, 9, seu irmão, mesmo não se sentindo bem, foi trabalhar. Durante a tarde, sem condições de encerrar o expediente, retornou ao Pronto-socorro. “Cheguei lá às 18h30 e ele estava em observação, tomando dipirona. Depois fez Raios-X e outros exames, até que resolveram interná-lo. Pediram a vaga à 1 hora da madrugada  mas só às 9 horas a ambulância levou ele.”
 
Ainda de acordo com a irmã, desde o momento em que Andrade deu entrada na Santa Casa até à ocorrência das paradas cardíacas, ele ficou em uma enfermaria aguardando vaga. “Destino de pobre é morrer à míngua e isso aconteceu agora com o meu filho. Deixaram ele jogado”, lamentou, inconformada, a mãe Valdivina Costa Andrade.
 
A família conta que Andrade chegou à Santa Casa andando e consciente, e seu quadro acabou se agravando com o passar das horas e a ocorrência da primeira parada cardíaca. “Quando ele teve a primeira parada, eu vi e pedi para que o socorressem, para arrumarem uma vaga e não deram atenção. Meu irmão depois passou a delirar e disseram que aquilo era por ele ser usuário de droga. Meu irmão bebia e fumava, mas droga ele não usava. Quero ver provarem”, disse Eliana da Costa Neto, que também é irmã do pedreiro.
 
Segundo ela, somente após o irmão sofrer três paradas cardíacas foi que a Santa Casa tentou providenciar uma vaga no CTI. “Saíram correndo com ele, tentando atendimento, mas aí já era tarde. Meu irmão não resistiu.” 
 
Andrade deixou mulher e dois filhos, de 9 e 4 anos. “O que aconteceu com ele foi descaso”, disse a mãe do pedreiro, que há dois anos perdeu o marido, segundo ela, também por falta de atendimento na Santa Casa.
 

Valter Júlio Rossi de Andrade morreu aos 34 anos 
 
Outros casos
Enquanto a família Andrade chorava a perda do filho, na mesma calçada outras duas famílias também estavam desesperadas e reclamavam da falta de vaga na Santa Casa.
 
Um dos casos era o do vendedor aposentado Carlos da Silva, 72. Com diagnóstico de pneumonia e insuficiência cardíaca, ele aguardava por uma vaga há horas. Segundo o filho Evandro José Silva, 31, o pai estava sem medicação e alimentação e ainda não havia um posicionamento da Santa Casa. “Aqui é um verdadeiro jogo de empurra e ninguém resolve. Nunca tem previsão”, disse o rapaz, que procurou a polícia para registrar um boletim alegando falta de atendimento.
 
Situação semelhante também era vivenciada pelos parentes do curtumeiro Fabrício Maciel Marcolino. Ele estava trabalhando quando sofreu um acidente e foi encaminhado para a Santa Casa. A mãe Sônia Marcolino disse que o filho chegou no hospital às 10 horas e até às 17 horas ainda não havia recebido atendimento adequado. “Falam que não tem vaga, enquanto isso meu filho fica jogado, correndo risco.”
 
A reportagem tentou contato com o presidente da Santa Casa de Franca, José Cândido Chimionato, mas as ligações feitas ao seu celular, no início da noite de ontem, não foram atendidas.

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